Papo de mulher

Viciada em moda, Chiara Manfrinato descreve o papel singular desempenhado por tradutores de moda e cria um paralelo entre essa área e o gênero chick lit .

Inventando moda

O jornalista Ronald Villardo oferece uma visão singular sobre como não enlouquecer ao traduzir aqueles termos tão peculiares da indústria de moda.

Vestida para matar
Vitor Brasil

Os fios, tramas e forças da moda nacional

 

A moda brasileira é atualmente consumida em diversos cantos do mundo, pelas razões óbvios da globalização e pelo encurtamento de fronteiras, onde a competição por bons preços, associada à qualidade, é uma cruzada mundial. Os principais jornais do país traçam a atual estamparia da moda nacional, com manchetes entusiasmadas como “Grupo de estilistas brasileiros dobra vendas no exterior” e “A exportação para o setor de moda deve chegar a US$ 6 milhões em 2005”.

Este cenário tem feito com que os barões da moda nacional aumentem suas produções, investindo pesado no parque produtor com o foco direto nas vendas para o exterior, onde o talento dos designers brasileiros, seu estilo, e as próprias grifes já são reconhecidos. Já não é novidade que os locais e turistas que circulam na Wilshire Boulevard, em Los Angeles, os bronzeados da Ocean Drive, em Miami, e os franceses com seus cigarros e cachorros na Galeries Lafayette, de Paris, pulam saltitantes ao verem um lindo par de havaianas coloridas. Havaianas nem é mais marca ou adjetivo pátrio; é sinônimo de sandália hype!

A diferença agora é que o mercado de venda para o exterior se consolida, expandindo o consumo de diversos produtos de marcas brasileiras. O estilo e um pouco do panache brasileiros enchem os olhos de consumidores em Tóquio, Londres e Berlim. Não há limite para o mercado da moda, fortalecido que está e que parece não sofrer tanto com as variações do dólar ou do petróleo, como em outros mercados. Da moda praia à haute couture com etiqueta nacional, o movimento das vendas e números fez com que diversas grifes buscassem entender quem é este alvo a acertar, se estruturando para invadir o novo mercado com fôlego de maratonista.

Com o objetivo de exportar moda brasileira como tendência, e não apenas roupas por eles fabricadas, há cerca de dois anos os estilistas Amir Slama, Alexandre Herchcovitch, Walter Rodrigues e Lino Villaventura criaram a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST). A associação é uma união de forças que, ao demonstrar a importância da conquista de novos mercados, conseguiu apoio do governo para exportação para as grifes brasileiras. Só para se ter uma idéia, a ABEST vende moda brasileira para 38 países.

Ações como essa são possíveis graças à parceria com o governo através da Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (APEX) que já promove o Brasil no exterior com showrooms e desfiles internacionais. Indo ao encontro de uma política de governo que está mais do que nunca interessada no superávit da balança comercial, a ajuda da APEX viabiliza projetos diversos. Entre eles, um evento que acontece no famoso Hôtel de Crillon, em Paris, e que reúne diversos estilistas duas vezes ao ano; uma pequena amostra de que nossos vestidos multicoloridos, calças jeans sexy, biquínis e sapatos de qualidade estão inseridos no cenário internacional.

Marcas como Cavalera, Francesca Giobbi, Gloria Coelho, Iódice, Osklen, Salinas e Patachou marcam a presença da moda brasileira em países como os Emirados Árabes, Austrália, Inglaterra, Líbano, México e China. A moda brasileira começa a ficar em pé de igualdade com outras grifes mundiais, inclusive por ter se estruturado a partir dos movimentos e tendências que são ditados nos grandes centros. Antes influenciada ao extremo e quase que completamente “escrava” do que vinha de fora, pode-se dizer que hoje a moda brasileira faz um caminho inverso à medida que a brasilidade se torna coqueluche mundial.

    Fonte: http://www.3284.net  
Cliente da Ccaps desde o início de 2004, a Osklen começou vendendo surfwear no Rio de Janeiro
e hoje exporta moda de qualidade para os mercados asiáticos.


Os cadernos de tendências, além de serem grandes fontes de pesquisa, fornecem as diretrizes para os principais players do mundo da moda. Entre eles estão o Carlin, o Promostyle que são editados em língua francesa, e alguns outros editados em língua inglesa. A cada nova temporada, as grifes brasileiras investem pesado na compra desses materiais e em sites especializados para suas coleções. Com conhecimento de línguas estrangeiras e o auxílio de tradutores profissionais, conseguem ter acesso a esses instrumentos e provam que os produtos e a moda brasileira estão dentro de uma conectividade mundial.

Entretanto, se a brasilidade já figura entre as atuais tendências estabelecidas em diversas capitais mundiais, não estaria próximo o tempo em que o Brasil editaria seu próprio caderno de tendências? E, dependendo da qualidade editorial de tal publicação, conseguiria ela chamar a atenção de executivos da indústria de moda, produtores e editores internacionais? O próximo e inevitável passo seria traduzir este “Caderno Brasileiro de Tendências” para o inglês ou o francês... Ou, quem sabe, e do jeito que a economia anda, a moda brasileira acabará saindo das passarelas paulistas e calçadões cariocas diretamente para as prateleiras de chineses, japoneses ou qualquer outro mercado asiático em ascensão – antes mesmo dos europeus e norte-americanos!

Se nossa música, nossa cultura, nossas modelos, nossos designers e nossa moda como um todo já se tornaram referência internacional, só depende de nós documentarmos isso e exportarmos também essa tendência, em texto e imagem. Mas todo esse sonho dependerá da qualidade dos profissionais envolvidos – tanto na criação quanto na tradução. Porque para chegar lá, não basta apenas talento, boa vontade e apoio governamental; é preciso também saber se comunicar – em outras línguas e com profissionalismo.

 
Vitor Brasil é aficcionado por moda e presta consultoria no posiciomento da comunicação de novos designers para este mercado. Recentemente, atuou no plano de comunicação e formatação para a marca da designer de jóias Amanda Seiler. Vitor, que ama cinema e tem formação em produção audiovisual, é atualmente o responsável pela comunicação e lançamento da carteira de filmes internacionais da distribuidora DownTown Filmes.