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Do Nordeste brasileiro para o mundo

Em entrevista com Eduardo Peixoto, Executivo de Desenvolvimento de Negócios do C.E.S.A.R, confirmamos que inovação tecnológica está em todo lugar e é para todos.

O Brasil visto de dentro

Fabiano Cid dá algumas dicas sobre o gigante sul-americano, cada dia mais considerado como uma alternativa viável para empreendimentos de offshore.

Um gigante emergente na arena global de localização
Adam Blau e Cassius Figueiredo

Por que o Rio é o lugar mais indicado a oferecer uma vantagem competitiva em localização

 

Introdução
O setor de localização continua a prosperar, em parte graças às empresas que continuam a investir e a terceirizar para fornecedores competentes alguns aspectos de seus processos de globalização. Como resultado do crescimento consistente da localização terceirizada, os fornecedores estão sempre em busca de gerentes de projeto e profissionais de engenharia altamente qualificados, e não apenas de tradutores, para atender a essa necessidade.

Começaram a surgir programas educacionais, como o de graduação universitária oferecido pela Chico State University, para preencher a necessidade de profissionais qualificados no setor. O que pode ser interessante para os leitores, no entanto, é que o Brasil — e mais especificamente o Rio de Janeiro — há muito tempo se posicionou como um celeiro de gerentes de projetos, desenvolvedores e engenheiros de localização especializados e talentosos, com ampla experiência na execução de complexos projetos multilíngües.

Com sua população notoriamente descontraída e uma paisagem estonteante de montanhas que roçam o mar, a chamada Cidade Maravilhosa talvez não pareça um local apropriado para ser um grande centro de localização. Entretanto, há uns 10 anos as principais empresas de localização, entre elas LMI, BGS e SimulTrans, decidiram aventurar-se no país abrindo escritórios no Rio de Janeiro. Naquela época, elas treinaram centenas de recursos, transformando-os em profissionais especializados na área. Essas empresas escolheram o Brasil – e o Rio de Janeiro em particular – por um motivo.

O estilo sul-americano
Com seu passado europeu, da época em que os espanhóis e portugueses chegaram aqui, até os dias de hoje, com um sistema educacional e uma filosofia comercial semelhantes aos dos EUA, a América do Sul é um lugar em que os executivos se sentem em casa quando estão fazendo negócios no exterior. Nos últimos anos, a região afastou o passado não-democrático dos anos 60 e 70 e vem desenvolvendo suas oportunidades de negócios.

Em termos geográficos, o continente também está em um local perfeito para atender às necessidades das empresas norte-americanas, estejam elas na costa leste ou oeste. No entanto, talvez o que mais atraia as multinacionais para a região seja o custo reduzido do trabalho especializado. Esse é particularmente o caso das principais empresas de tecnologia, que têm investido na América Latina, e principalmente no Brasil, em um ritmo sempre crescente. Os profissionais brasileiros oferecem serviços de primeira por um preço bem menor, quando comparados aos seus colegas do hemisfério norte – um grande chamariz em uma era marcada por cortes setoriais de preços.

Brasil, o gigante emergente
Outra característica favorável ao país é sua estabilidade política e econômica. Ao contrário de muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil mantém há aproximadamente 20 anos governos eleitos democraticamente, um fator de peso para executivos, no que diz respeito a investimentos internacionais e metas de terceirização. Essa estabilidade, por sua vez, ajudou a melhorar o panorama econômico do país. Segundo Ilan Goldjfan, economista e ex-diretor do Banco Central, “com a atual tendência das contas externas, e enquanto o status internacional for mantido, é provável que no próximo mandato presidencial o Brasil consiga zerar sua dívida externa liquida, reduzir o chamado ‘Risco Brasil’ e atingir o grau de investimento”.

Mais do que isso, as proporções continentais e a diplomacia bem-sucedida do Brasil fazem dele um líder natural na região sul-americana. Juntamente com outros gigantes internacionais como a Rússia, a Índia e a China, o Brasil faz parte do grupo BRIC, denominação criada a partir de uma tese de 2003 elaborada pelo banco de investimentos Goldman Sachs. Segundo o documento, essas economias de rápido desenvolvimento eclipsarão em 2050 a maioria dos países mais ricos do mundo. Os quatro países terão mais de 40% da população mundial e, devido a seu ingresso recente no capitalismo global, controlarão uma soma conjunta de aproximadamente 15 trilhões de dólares. Existe lugar melhor para executivos ambiciosos abrirem um negócio?

O Brasil também se transformou em um importante centro de tecnologia depois que as principais empresas de TI passaram a incluir o país em suas estratégias de internacionalização. No início de 2006, a divisão de consultoria da IBM decidiu abrir um novo centro de desenvolvimento no Brasil e, com um investimento de US$ 100 milhões, planejava contratar 1.500 profissionais locais. Seguindo essa tendência, a SAP também planejava expandir sua atual equipe de consultoria na América Latina. Seu objetivo era treinar 10.000 novos profissionais e reciclar outros 10.000 consultores. Metade desses 20.000 novos recursos é de consultores brasileiros. A Intel Brasil registrou um aumento de 70% na venda de unidades em 2005 e esperava alcançar o mesmo crescimento no ano passado. No penúltimo ano fiscal de 2005, enquanto as vendas da Dell cresceram 9,6% nos Estados Unidos, 21% na França, 23% na China e 24% na Alemanha, o Brasil ultrapassou todos esses mercados com um aumento de 84% nas vendas!

   

Rio, um celeiro de localização
No final dos anos 90, os maiores fornecedores multilíngües (MLVs, Multilanguage Vendors) de nosso setor escolheram o Rio de Janeiro como centro de operações no Brasil (às vezes atendendo a América Latina como um todo). A maioria das empresas oferecia a seus funcionários treinamentos intensivos e começou a transformar a vasta diversidade de tradutores competentes em localizadores totalmente qualificados. Mais tarde, alguns se tornaram gerentes de projeto e uniram-se à profusão de outros profissionais com diferentes formações educacionais, fosse de lingüística, TI, administração ou design gráfico. A combinação de tal variedade e equilíbrio nas equipes permitiu a essas empresas colher os benefícios de profissionais extremamente competentes e talentosos.

Acrescente-se a isso uma característica intrínseca ao povo brasileiro: adaptabilidade. Em um país multicultural como esse – freqüentemente chamado de “o verdadeiro melting pot” – é necessário adaptar-se às várias circunstâncias que permeiam a vida profissional e pessoal de cada um. Quando perguntado se planejar, ao invés de improvisar, era o fator que diferenciava o aventureiro de um profissional responsável e competente, o velejador e conferencista brasileiro Amyr Klink respondeu que, mesmo depois de um planejamento cuidadoso, a capacidade de improviso continuava desempenhando um papel crucial. A flexibilidade e o profissionalismo dos gerentes lotados no Rio os tornaram uma opção atraente de contratação para os clientes cujas contas gerenciavam ou passaram a ocupar cargos importantes no exterior, em empresas fornecedoras de localização.

Capa da edição de novembro de 2006 da revista ClientSide News, onde este artigo foi publicado originalmente
   

Alguns dos que permaneceram no Brasil aproveitaram a oportunidade para iniciar pequenos negócios, que têm crescido desde então. A oferta inclui serviços lingüísticos, de editoração eletrônica (DTP), engenharia, testes e multimídia. Esses fornecedores, juntamente com uma ampla oferta de recursos autônomos experientes, trabalham para diversos MLVs, na própria região e no mundo todo.

O Rio de Janeiro é também a sede da maioria das entidades educacionais e profissionais do setor no Brasil. Tanto a Associação Brasileira de Tradutores (ABRATES) quanto o Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA) estão sediados na cidade. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), uma das mais proeminentes universidades brasileiras, também oferece cursos de graduação e pós-graduação na área. O resultado é um ambiente repleto dos melhores profissionais de localização do país.

O Centro de GPM da milengo
Aqui na milengo, sentimos recentemente a necessidade de atender à demanda crescente, por parte de clientes dos Estados Unidos e do Canadá, de um gerenciamento global de projetos altamente qualificado. O Brasil oferecia a vantagem de seu fuso horário privilegiado, permitindo à milengo responder rapidamente às demandas dos nossos clientes. Em setembro de 2006, decidimos abrir um novo centro de GPM (GPM, Global Project Management) no Rio de Janeiro.

Para a milengo, estava claro que o Rio de Janeiro era a opção mais atrativa para as operações de GPM. Devido à fusão da Lionbridge com a Bowne Global Solutions e à decisão corporativa de mudar as operações para São Paulo, a milengo Brasil convenceu a matriz de que poderíamos nos beneficiar do excedente resultante de profissionais qualificados. No passado, a onda de fusões e aquisições transformou o Rio em um centro de localização, e os profissionais residentes na cidade são hoje alguns dos recursos com melhor qualificação no setor. Dessa forma, a consolidação dos dois maiores MLVs criou uma ampla oferta de especialistas em DTP, engenharia e GPM. Estando esses valiosos recursos humanos disponíveis, a milengo aproveitou a ocasião e os contratou.

Esse é especialmente o caso dos gerentes globais de projetos. Nos áureos tempos da localização, eles foram treinados para usar técnicas de gerenciamento que incluíam negociação, resolução de conflitos e habilidades de comunicação. Isso, aliado ao fato de que todos vieram da área de produção, deu-lhes a experiência prática necessária para atender com sucesso empresas de TI de diferentes tamanhos e com diferentes necessidades.

O gerenciamento de recursos é talvez a maior força de qualquer empresa que opere em níveis locais. Em poucas palavras, você conhece o potencial, as habilidades e as fragilidades de cada pessoa que pretende contratar. Em nosso caso, já trabalhávamos com muitos deles no passado e sabíamos a quem nos dirigir para oferecer serviços com valor agregado aos nossos clientes.

 

Adam Blau é o vice-presidente de marketing e vendas da milengo. Ele é responsável pelo gerenciamento das operações globais da milengo e das atividades de vendas e marketing na América do Norte e Europa, ajudando as empresas a se beneficiarem da estrutura de aliança para o planejamento de suas estratégias de localização.

Cassius Figueiredo está à frente do Centro de GPM da milengo. Um veterano do setor, com mais de 10 anos de experiência, Cassius trabalhou como Gerente de Projeto Sênior na Lionbridge Technologies e traz para sua nova função um amplo conhecimento, tendo atuado como desenvolvedor de software, revisor técnico e criador de conteúdo.
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