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O Brasil visto de dentro

Fabiano Cid dá algumas dicas sobre o gigante sul-americano, cada dia mais considerado como uma alternativa viável para empreendimentos de offshore.

Um gigante emergente na arena global de localização

Adam Blau, VP de Vendas, e Cassius Figueiredo, Gerente de Projetos Globais, explicam porque a milengo escolheu o Rio de Janeiro para ser seu Centro de GPM.

Do Nordeste brasileiro para o mundo
Uma entrevista com Eduardo Peixoto, Executivo de Desenvolvimento de Negócios do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, o C.E.S.A.R (http://www.cesar.org.br).
 

CCAPS: Conte um pouco para os leitores da Ccaps Newsletter sobre a história do C.E.S.A.R.

PEIXOTO: O C.E.S.A.R é um instituto privado de inovação, fundado em 1996 na cidade do Recife. Ele evoluiu a partir de uma iniciativa de um grupo de professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco, que decidiu desenvolver processos de inovação para atender o mercado de TI. O objetivo era criar um centro de excelência global para as áreas de informática e comunicação unindo a capacidade técnica dos recursos humanos disponíveis a uma abordagem de mercado. A massa intelectual da universidade, portanto, deveria sair dali para alimentar o mercado de TI e transformar a economia do estado em algo tecnologicamente inovador.

CCAPS: E qual foi a sua participação nesse processo?

PEIXOTO: Eu me juntei ao C.E.S.A.R em 2001, quando já havia 150 pessoas trabalhando no instituto. E o que mais me interessou no empreendimento foi a idéia de estar presente e trabalhando em um ambiente inovador e cheio de desafios.

CCAPS: Por que o C.E.S.A.R pode ser considerado um centro de inovação no Brasil?

PEIXOTO: Ainda em 1996, os fundadores do C.E.S.A.R perceberam que a linguagem Java dominaria o mercado e, nesse sentido, trabalhamos para desenvolver e divulgar essa tecnologia no Brasil. Em função da simbiose fomentada na instituição entre mercado e universidade, deu-se início a um forte processo de criação de empresas dentro do próprio Centro. Uma delas resultou no desenvolvimento do Radix, mecanismo de busca que surgiu na mesma época do Google — o que demonstra nosso potencial de inovação. Essa ferramenta foi posteriormente adquirida por um grande portal nacional de conteúdo. O mesmo aconteceu com a Newstorm, uma empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS); a e-capture, especializada na captura de transações eletrônicas; e a tempest, em segurança de sistemas. Ao todo, foram mais de 10 empresas concebidas e incubadas na instituição.

CCAPS: Como vocês alavacam esse processo?

PEIXOTO: Nossa missão é trazer o mercado para junto da academia, e vice-versa. É o pé na academia e os olhos no mercado. Criamos assim um ciclo simbiótico em que todos saem ganhando. No momento, atuo em Desenvolvimento de Negócios, que vem a ser a identificação de problemas ou oportunidades nas organizações e ou nos seus negócios, que podem ser resolvidos ou alavancados com tecnologia da informação e comunicação. Os problemas ou oportunidades encontrados no mercado são trabalhados na instituição, na nossa rede de instituições parceiras e, claro, com nossos clientes. As soluções desenvolvidas podem ser generalizadas para que se tornem um produto, um serviço ou uma nova empresa. No fundo, buscamos através das soluções encontradas o desenvolvimento de negócios!.

CCAPS: Você teria alguns números para dividir com a gente?

PEIXOTO: Desde sua fundação, o C.E.S.A.R tem apresentado um crescimento anual da ordem de 40% e nosso faturamento hoje é de R$ 45 milhões. Junto com o Porto Digital, somos ao todo 103 empresas gerando mais de 3500 empregos diretos na ilha do Recife Antigo.

CCAPS: Que impressionante! E o que vem a ser o Porto Digital?

   
PEIXOTO: O Porto foi fundado em 2001 e trata-se de uma iniciativa complementar ao C.E.S.A.R. Ele foi uma articulação dos governos municipal e estadual junto com a iniciativa privada para dar fomento à vida econômica da região do Recife Antigo. Foi nessa área que se iniciou a história da cidade e ali você pode encontrar ainda hoje monumentos históricos e o prédio da Bolsa de Valores. Juntos, o C.E.S.A.R e o Porto Digital, além de alavancar a economia do estado de Pernambuco e, mais particularmente da cidade do Recife, também são responsáveis pela manutenção do patrimônio histórico da região. Isso porque qualquer empresa que se estabeleça lá deve respeitar a fachada original do prédio, criando uma bela dicotomia entre a alta tecnologia desenvolvida internamente e o passado da construção.

CCAPS: Em que áreas as empresas incubadas pelo C.E.S.A.R atuam?

PEIXOTO: Nas mais diversas. Poderia citar algumas, como a Meantime (http://www.meantime.com.br), desenvolvedora de jogos on-line; a AiLeader (http://www.aileader.com.br), de reconhecimento de padrões e recuperação de informações; e a Hive.Log (http://www.hivelog.com.br), com suas soluções integradas para a área de logística.

   

CCAPS: Como se dá o processo de incubação?

PEIXOTO: O modelo de incubação do C.E.S.A.R. se destaca no mercado por utilizar características inovadoras quando comparado com os processos tradicionais. A mais importante delas é o fato de estarmos sempre buscando idéias ou projetos com potencial para se tornarem novos empreendimentos. As oportunidades de negócios ocorrem através da interação com universidades, centros de pesquisa, fundos de investimento e demais entidades que tiverem interesse no desenvolvimento de novos negócios em TI.

CCAPS: Conta um pouco de outra iniciativa importante de vocês: o C.E.S.A.R.EDU.

PEIXOTO: O objetivo do C.E.S.A.R.EDU é formar capital humano de classe mundial em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), utilizando por base performance, inovação e conhecimento prático. Oferecemos duas linhas de aprendizado: um Mestrado Profissional em Engenharia de Software, que é todo executado em ambiente de Fábrica de Software com foco em reuso e qualidade, e a FACTS, Formação Acelerada de Competências em Tecnologias de Software.

CCAPS: Você deve saber que estamos no ramo de localização, afinal o C.E.S.A.R se tornou recentemente um cliente da Ccaps. Desse modo, qual a importância da localização para os seus processos?

PEIXOTO: Temos alguns contratos fechados diretamente com empresas fora do país, mas a maior parte de nossa receita é oriunda do mercado interno brasileiro. Entretanto, trabalhamos em grande escala com os escritórios locais de empresas globais e, eventualmente, nossos produtos são exportados para a matriz ou outras subsidiárias no exterior. Por esse motivo, pensamos em internacionalização para todos os produtos. Todos já saem prontos para serem traduzidos e compilados, num processo de localização que atende às necessidades específicas e do local do cliente.

CCAPS: Embora o mercado brasileiro de software tenha conseguido alcançar uma posição de prestígio em termos globais, ainda se encontra muito atrás de outros gigantes como a Índia. Em sua opinião, o que tem proporcionado essa desvantagem?

PEIXOTO: Antes de tudo, eu diria que não só a Índia, que é indiscutivelmente a líder no setor de offshore de TI, mas também a China, que em breve vai começar a lutar por essa liderança. O problema do Brasil é que o mercado de TI e, mais especificamente, de offshoring, é altamente dependente de mão-de-obra qualificada. Assim, quando se começa um processo de especialização em determinados nichos, capital humano é fundamental. E infelizmente, ainda falta no Brasil um processo de formação dessa mão-de-obra. Embora já sejamos reconhecidos internacionalmente, eu acredito que a barreira a ser vencida é a do capital humano. O que precisamos desenvolver para alcançar uma posição de ainda maior destaque na arena global é a criação de mais centros de formação, os quais devem estabelecer parcerias com instituições educacionais e o mercado. Só assim conseguiremos ultrapassar essa barreira e galgar posições no ranking global.

CCAPS: E não é isso o que o C.E.S.A.R vem fazendo nesses 11 anos de existência?

PEIXOTO: Exatamente! O nosso capital humano é representado por um quadro de colaboradores de mais de 640 profissionais, provenientes de diversas regiões do Brasil e do mundo. A maioria conta com certificados reconhecidos internacionalmente, como PMP (Project Management Professional), IBM Enterprise Connectivity J2EE, IBM Websphere Studio, SUN Certified Java Programmer e Java Developer e outros. Isso só foi possível graças a várias ações desenvolvidas pelo Centro, como o programa de atração de estrangeiros, de incentivo à certificação e à pós-graduação, como o C.E.S.A.R.EDU.

CCAPS: Que os 11 anos se multipliquem por muitos mais então. E parabéns pela iniciativa!

PEIXOTO: Obrigado.

 
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