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A melhor raça de gerentes de projetos
Fabiano Cid

Como tirar o melhor proveito de seus atributos felinos ou caninos ao gerenciar um projeto

 

Zoomorfismo é a representação de deuses em forma de animais ou a atribuição de características animais a um deus. Em nosso setor, os gerentes de projetos (PMs) de localização podem ser vistos das duas maneiras: como deuses e animais. Deuses porque são onipresentes, participando de cada etapa do processo; onipotentes, já que cada decisão pode transformar um projeto em sucesso ou fracasso; e oniscientes, por seu pleno conhecimento de como as coisas estão sendo executadas. Ou podem ser uns animais — no bom ou no mau sentido. Neste artigo, vou me concentrar na segunda idéia, mas dividirei os gerentes de projetos em duas espécies muito distintas.

Seja devido a características pessoais, diferenças culturais ou políticas corporativas, o fato é que PMs sempre podem adquirir características de animais. Na verdade, uma única empresa de localização pode ser uma Arca de Noé completa, com cobras dissimuladas, galinhas assustadas, tubarões vorazes, espaçosos elefantes, formigas trabalhadeiras ou cigarras cantantes. Mas para limitar o tamanho deste artigo e por não se tratar de um ensaio sobre zoologia, vamos nos fixar nos dois animais mais próximos dos seres humanos e que se tornaram, ao longo do tempo, os bichos de estimação mais populares entre nós: os cães e os gatos.

Algumas pessoas vêem os gatos como seres inteligentes e superiores, enquanto outros os consideram egocêntricos e traiçoeiros. O mesmo acontece com os cães: para os que gostam de gatos, podem parecer estúpidos e subservientes, enquanto para os cinófilos, são seres leais, sociáveis e confiáveis. Gerentes de projetos também podem ter essas características quando executam seu trabalho diário. E embora eu não esteja aqui para dar a última palavra sobre qual é o melhor enfoque para o gerenciamento de projetos, espero apresentar algumas dicas úteis sobre como equilibrar suas qualidades felinas e caninas para que seja alcançado o objetivo mais importante: a satisfação e retenção do cliente.

A maioria dos gerentes de projeto que conheço ou com os quais trabalhei poderia se encaixar em uma das categorias acima. Caninos seriam aqueles PMs que fazem de tudo para agradar seus clientes, podem ser considerados como seus melhores amigos (de profissão) e respondem imediatamente a qualquer solicitação abanando o rabinho e erguendo as orelhas com atenção máxima para saber em que podem ser úteis. Enquanto isso, os PMs felinos costumam manter uma distância segura, pois não gostam de ser incomodados em sua privacidade, dificilmente agradarão ou obedecerão a seus clientes sem receber alguma coisa em troca e, quando descontentes com alguma coisa, deixam isso bem claro, mostrando suas longas garras pontudas e dentes afiados.

Só para fins de comparação e sem medo de generalizar, um PM canino seria aquele que dá o máximo de si para ter certeza de que o cliente está totalmente satisfeito. Ele faz hora extra (e geralmente não cobra por isso), está sempre pronto a encontrar a melhor solução — por mais estranho e complicado que seja o pedido do cliente — e acha que é suficiente receber um breve elogio pelo trabalho duro.

Por outro lado, gerentes de projeto do tipo felino, que nunca trabalhariam durante a madrugada para entregar um projeto, dificilmente usariam algo mais íntimo do que “Atenciosamente” ao final de seus emails e sabem muito bem o custo de se lidar com pedidos complexos não incluídos no escopo de um trabalho previamente combinado. Pode acreditar: eles não só sabem quanto custa como também cobrarão de você o preço desse esforço, de uma maneira ou de outra.

Para não fugir da metáfora, PMs caninos são aqueles que procuram incessantemente o tesouro escondido que o próprio cliente enterrou (mas não consegue lembrar onde) e ficam felizes com o ossinho que às vezes é jogado para eles apanharem. Cães podem mostrar seus dentes e latir para outras pessoas, mas quase nunca para seus donos. Porém, se em um momento de raiva seu cachorro rosnar e morder você por algum motivo, ele logo em seguida se transformará em um filhote arrependido com o rabo entre as pernas, lambendo seu rosto para tentar recuperar o amor e confiança quase perdidos. No caso dos PMs, o latido, o rosnado e a eventual mordida na mão que os alimenta costumam revelar um desapontamento velado com a falta de atenção, a sensação dolorosa de estar sendo explorado ou o desgaste de não estar sendo recompensado adequadamente. Mas isso é freqüentemente acompanhado de um remorso profundo, uma vergonha arrebatadora e uma tentativa desesperada de recuperar a eterna e inegável parceria.



Falando sério, quando o cliente dificulta a nossa vida,
é melhor arranhar os móveis ou sair correndo atrás do carro dele?

Mas não nos esqueçamos dos gatos que, embora pareçam imprevisíveis e traiçoeiros, têm seu próprio jeito de anunciar a iminência de um ataque. Sabendo que são bichanos ariscos que podem pular de seu colo sem avisar (e ainda deixar um arranhão em suas coxas), você não ficaria prevenido? O mesmo se aplica aos PMs gatos: depois de deixarem claro que seu relacionamento é estritamente comercial e que não virão correndo quando o cliente assobiar, eis que se estabelece um acordo tácito; um que não deixa margem para dúvidas. Como cliente, talvez você não esteja preparado para lidar com esse comportamento ou prefira uma postura mais amigável; nesse caso, reveja o relacionamento ou procure um parceiro que seja mais compatível com você.

De acordo com o Project Management Institute (PMI), oferecer ao cliente mais do que ele solicita não é uma prática recomendada. Portanto, os PMs devem se ater ao escopo aprovado e entregar exatamente o que deles foi solicitado ou foi combinado entre as partes. Afinal, não seguir essa regra, no mínimo, pode significar horas extras de trabalho que não serão remuneradas. No final do projeto, você pode se descobrir estourando o orçamento, exausto com os contínuos serões ou desapontado por não ter seus esforços devidamente reconhecidos. Aí, pode latir o quanto quiser que a situação não vai mudar, podendo até acabar sendo repreendido por seu chefe porque o projeto já não é rentável. Infelizmente, a artimanha do olhar triste de vira-lata abandonado não vai reverter a situação.

Mas todos os clientes são iguais? Eles sempre esperam que você siga o guia PMBoK, independentemente das circunstâncias do projeto e do relacionamento que esperam estabelecer com você? Se é este o caso e toda empresa só está interessada em funcionários que podem definir claramente os limites do relacionamento com o cliente, o gerente de projeto felino obviamente oferece uma vantagem. Afinal, você nunca presenciará um PM felino suando de tanto correr de um lado pro outro para cumprir um prazo inviável. Sua elegância, auto-estima e indiferença impedem que ele execute aquelas tarefas extras que surgem no último minuto do expediente. Mas não se esqueça das garras! O mero pedido de “um empurrãozinho” desses profissionais pode deixar muito mais marcas do que você esperava.

As relações de negócios têm de fato um caráter bastante misto e, em alguns casos, aquele esforço extra pode ser compensado. Um favor hoje pode se transformar em compromisso estável amanhã. Apesar do risco de quase contrariar minha teoria sobre o zoomorfismo, não podemos esquecer que clientes são humanos, e PMs também. Assim como no casamento, é preciso sempre ter um cuidado especial com o parceiro, senão a parte “cola” da “colaboração” acabará perdendo a liga. Sacrifício, flexibilidade, capacidade de ajuste e comprometimento devem ser praticados e fomentados durante todo o tempo da colaboração. Intolerância, incapacidade de adaptação e relutância em negociar podem prejudicar ou, em última análise, pôr um fim àquilo que de outro modo teria chances de se tornar uma relação para toda a vida.

Cães e gatos podem sim viver juntos em harmonia. Da mesma forma, gerentes de projetos podem equilibrar as qualidades de cães e gatos sem mudar sua personalidade, negar suas raízes culturais ou violar políticas corporativas. O mais importante é perceber qual é o comportamento preferido pelo seu cliente, qual a conduta esperada pelos superiores e fugir dos aspectos negativos de cada animal que existe dentro de você. Só assim você poderá se considerar “o melhor da raça”.

 
Reproduzido da GALAxy Newsletter (1º trimestre de 2008) com permissão da Globalization and Localization Association, www.gala-global.org.
 

Desde 2006, Fabiano Cid divide seu lar com Guadalupe, uma adorável buldogue inglesa agora com 2 anos de idade. Ele é o diretor executivo da Ccaps e já trabalhou ocasionalmente como PM — evidentemente sem praticar gerenciamento de projetos felino.

Tony Beckwith é escritor, tradutor, cartunista e mora em Austin, Texas.

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