| Um gigante emergente na arena global de localização
Adam Blau e Cassius Figueiredo
Por que o Rio é o lugar mais indicado a oferecer uma vantagem competitiva em localização |
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Introdução
O setor de localização continua a prosperar, em parte graças às empresas que continuam a investir e a terceirizar para fornecedores competentes alguns aspectos de seus processos de globalização. Como resultado do crescimento consistente da localização terceirizada, os fornecedores estão sempre em busca de gerentes de projeto e profissionais de engenharia altamente qualificados, e não apenas de tradutores, para atender a essa necessidade.
Começaram a surgir programas educacionais, como o de graduação universitária oferecido pela Chico State University, para preencher a necessidade de profissionais qualificados no setor. O que pode ser interessante para os leitores, no entanto, é que o Brasil — e mais especificamente o Rio de Janeiro — há muito tempo se posicionou como um celeiro de gerentes de projetos, desenvolvedores e engenheiros de localização especializados e talentosos, com ampla experiência na execução de complexos projetos multilíngües.
Com sua população notoriamente descontraída e uma paisagem estonteante de montanhas que roçam o mar, a chamada Cidade Maravilhosa talvez não pareça um local apropriado para ser um grande centro de localização. Entretanto, há uns 10 anos as principais empresas de localização, entre elas LMI, BGS e SimulTrans, decidiram aventurar-se no país abrindo escritórios no Rio de Janeiro. Naquela época, elas treinaram centenas de recursos, transformando-os em profissionais especializados na área. Essas empresas escolheram o Brasil – e o Rio de Janeiro em particular – por um motivo.
O estilo sul-americano
Com seu passado europeu, da época em que os espanhóis e portugueses chegaram aqui, até os dias de hoje, com um sistema educacional e uma filosofia comercial semelhantes aos dos EUA, a América do Sul é um lugar em que os executivos se sentem em casa quando estão fazendo negócios no exterior. Nos últimos anos, a região afastou o passado não-democrático dos anos 60 e 70 e vem desenvolvendo suas oportunidades de negócios.
Em termos geográficos, o continente também está em um local perfeito para atender às necessidades das empresas norte-americanas, estejam elas na costa leste ou oeste. No entanto, talvez o que mais atraia as multinacionais para a região seja o custo reduzido do trabalho especializado. Esse é particularmente o caso das principais empresas de tecnologia, que têm investido na América Latina, e principalmente no Brasil, em um ritmo sempre crescente. Os profissionais brasileiros oferecem serviços de primeira por um preço bem menor, quando comparados aos seus colegas do hemisfério norte – um grande chamariz em uma era marcada por cortes setoriais de preços.
Brasil, o gigante emergente
Outra característica favorável ao país é sua estabilidade política e econômica. Ao contrário de muitos de seus vizinhos latino-americanos, o Brasil mantém há aproximadamente 20 anos governos eleitos democraticamente, um fator de peso para executivos, no que diz respeito a investimentos internacionais e metas de terceirização. Essa estabilidade, por sua vez, ajudou a melhorar o panorama econômico do país. Segundo Ilan Goldjfan, economista e ex-diretor do Banco Central, “com a atual tendência das contas externas, e enquanto o status internacional for mantido, é provável que no próximo mandato presidencial o Brasil consiga zerar sua dívida externa liquida, reduzir o chamado ‘Risco Brasil’ e atingir o grau de investimento”.
Mais do que isso, as proporções continentais e a diplomacia bem-sucedida do Brasil fazem dele um líder natural na região sul-americana. Juntamente com outros gigantes internacionais como a Rússia, a Índia e a China, o Brasil faz parte do grupo BRIC, denominação criada a partir de uma tese de 2003 elaborada pelo banco de investimentos Goldman Sachs. Segundo o documento, essas economias de rápido desenvolvimento eclipsarão em 2050 a maioria dos países mais ricos do mundo. Os quatro países terão mais de 40% da população mundial e, devido a seu ingresso recente no capitalismo global, controlarão uma soma conjunta de aproximadamente 15 trilhões de dólares. Existe lugar melhor para executivos ambiciosos abrirem um negócio?
O Brasil também se transformou em um importante centro de tecnologia depois que as principais empresas de TI passaram a incluir o país em suas estratégias de internacionalização. No início de 2006, a divisão de consultoria da IBM decidiu abrir um novo centro de desenvolvimento no Brasil e, com um investimento de US$ 100 milhões, planejava contratar 1.500 profissionais locais. Seguindo essa tendência, a SAP também planejava expandir sua atual equipe de consultoria na América Latina. Seu objetivo era treinar 10.000 novos profissionais e reciclar outros 10.000 consultores. Metade desses 20.000 novos recursos é de consultores brasileiros. A Intel Brasil registrou um aumento de 70% na venda de unidades em 2005 e esperava alcançar o mesmo crescimento no ano passado. No penúltimo ano fiscal de 2005, enquanto as vendas da Dell cresceram 9,6% nos Estados Unidos, 21% na França, 23% na China e 24% na Alemanha, o Brasil ultrapassou todos esses mercados com um aumento de 84% nas vendas!
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Rio, um celeiro de localização
No final dos anos 90, os maiores fornecedores multilíngües (MLVs, Multilanguage Vendors) de nosso setor escolheram o Rio de Janeiro como centro de operações no Brasil (às vezes atendendo a América Latina como um todo). A maioria das empresas oferecia a seus funcionários treinamentos intensivos e começou a transformar a vasta diversidade de tradutores competentes em localizadores totalmente qualificados. Mais tarde, alguns se tornaram gerentes de projeto e uniram-se à profusão de outros profissionais com diferentes formações educacionais, fosse de lingüística, TI, administração ou design gráfico. A combinação de tal variedade e equilíbrio nas equipes permitiu a essas empresas colher os benefícios de profissionais extremamente competentes e talentosos.
Acrescente-se a isso uma característica intrínseca ao povo brasileiro: adaptabilidade. Em um país multicultural como esse – freqüentemente chamado de “o verdadeiro melting pot” – é necessário adaptar-se às várias circunstâncias que permeiam a vida profissional e pessoal de cada um. Quando perguntado se planejar, ao invés de improvisar, era o fator que diferenciava o aventureiro de um profissional responsável e competente, o velejador e conferencista brasileiro Amyr Klink respondeu que, mesmo depois de um planejamento cuidadoso, a capacidade de improviso continuava desempenhando um papel crucial. A flexibilidade e o profissionalismo dos gerentes lotados no Rio os tornaram uma opção atraente de contratação para os clientes cujas contas gerenciavam ou passaram a ocupar cargos importantes no exterior, em empresas fornecedoras de localização. |
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| Capa da edição de novembro de 2006 da revista ClientSide News,
onde este artigo foi publicado originalmente |
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Alguns dos que permaneceram no Brasil aproveitaram a oportunidade para iniciar pequenos negócios, que têm crescido desde então. A oferta inclui serviços lingüísticos, de editoração eletrônica (DTP), engenharia, testes e multimídia. Esses fornecedores, juntamente com uma ampla oferta de recursos autônomos experientes, trabalham para diversos MLVs, na própria região e no mundo todo.
O Rio de Janeiro é também a sede da maioria das entidades educacionais e profissionais do setor no Brasil. Tanto a Associação Brasileira de Tradutores (ABRATES) quanto o Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA) estão sediados na cidade. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), uma das mais proeminentes universidades brasileiras, também oferece cursos de graduação e pós-graduação na área. O resultado é um ambiente repleto dos melhores profissionais de localização do país.
O Centro de GPM da milengo
Aqui na milengo, sentimos recentemente a necessidade de atender à demanda crescente, por parte de clientes dos Estados Unidos e do Canadá, de um gerenciamento global de projetos altamente qualificado. O Brasil oferecia a vantagem de seu fuso horário privilegiado, permitindo à milengo responder rapidamente às demandas dos nossos clientes. Em setembro de 2006, decidimos abrir um novo centro de GPM (GPM, Global Project Management) no Rio de Janeiro.
Para a milengo, estava claro que o Rio de Janeiro era a opção mais atrativa para as operações de GPM. Devido à fusão da Lionbridge com a Bowne Global Solutions e à decisão corporativa de mudar as operações para São Paulo, a milengo Brasil convenceu a matriz de que poderíamos nos beneficiar do excedente resultante de profissionais qualificados. No passado, a onda de fusões e aquisições transformou o Rio em um centro de localização, e os profissionais residentes na cidade são hoje alguns dos recursos com melhor qualificação no setor. Dessa forma, a consolidação dos dois maiores MLVs criou uma ampla oferta de especialistas em DTP, engenharia e GPM. Estando esses valiosos recursos humanos disponíveis, a milengo aproveitou a ocasião e os contratou.
Esse é especialmente o caso dos gerentes globais de projetos. Nos áureos tempos da localização, eles foram treinados para usar técnicas de gerenciamento que incluíam negociação, resolução de conflitos e habilidades de comunicação. Isso, aliado ao fato de que todos vieram da área de produção, deu-lhes a experiência prática necessária para atender com sucesso empresas de TI de diferentes tamanhos e com diferentes necessidades.
O gerenciamento de recursos é talvez a maior força de qualquer empresa que opere em níveis locais. Em poucas palavras, você conhece o potencial, as habilidades e as fragilidades de cada pessoa que pretende contratar. Em nosso caso, já trabalhávamos com muitos deles no passado e sabíamos a quem nos dirigir para oferecer serviços com valor agregado aos nossos clientes.
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Adam Blau é o vice-presidente de marketing e vendas da milengo. Ele é responsável pelo gerenciamento das operações globais da milengo e das atividades de vendas e marketing na América do Norte e Europa, ajudando as empresas a se beneficiarem da estrutura de aliança para o planejamento de suas estratégias de localização. |
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Cassius Figueiredo está à frente do Centro de GPM da milengo. Um veterano do setor, com mais de 10 anos de experiência, Cassius trabalhou como Gerente de Projeto Sênior na Lionbridge Technologies e traz para sua nova função um amplo conhecimento, tendo atuado como desenvolvedor de software, revisor técnico e criador de conteúdo. |
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