CCAPS: Como se dá o processo de incubação?
PEIXOTO: O modelo de incubação do C.E.S.A.R. se destaca no mercado por utilizar características inovadoras quando comparado com os processos tradicionais. A mais importante delas é o fato de estarmos sempre buscando idéias ou projetos com potencial para se tornarem novos empreendimentos. As oportunidades de negócios ocorrem através da interação com universidades, centros de pesquisa, fundos de investimento e demais entidades que tiverem interesse no desenvolvimento de novos negócios em TI.
CCAPS: Conta um pouco de outra iniciativa importante de vocês: o C.E.S.A.R.EDU.
PEIXOTO: O objetivo do C.E.S.A.R.EDU é formar capital humano de classe mundial em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), utilizando por base performance, inovação e conhecimento prático. Oferecemos duas linhas de aprendizado: um Mestrado Profissional em Engenharia de Software, que é todo executado em ambiente de Fábrica de Software com foco em reuso e qualidade, e a FACTS, Formação Acelerada de Competências em Tecnologias de Software.
CCAPS: Você deve saber que estamos no ramo de localização, afinal o C.E.S.A.R se tornou recentemente um cliente da Ccaps. Desse modo, qual a importância da localização para os seus processos?
PEIXOTO: Temos alguns contratos fechados diretamente com empresas fora do país, mas a maior parte de nossa receita é oriunda do mercado interno brasileiro. Entretanto, trabalhamos em grande escala com os escritórios locais de empresas globais e, eventualmente, nossos produtos são exportados para a matriz ou outras subsidiárias no exterior. Por esse motivo, pensamos em internacionalização para todos os produtos. Todos já saem prontos para serem traduzidos e compilados, num processo de localização que atende às necessidades específicas e do local do cliente.
CCAPS: Embora o mercado brasileiro de software tenha conseguido alcançar uma posição de prestígio em termos globais, ainda se encontra muito atrás de outros gigantes como a Índia. Em sua opinião, o que tem proporcionado essa desvantagem?
PEIXOTO: Antes de tudo, eu diria que não só a Índia, que é indiscutivelmente a líder no setor de offshore de TI, mas também a China, que em breve vai começar a lutar por essa liderança. O problema do Brasil é que o mercado de TI e, mais especificamente, de offshoring, é altamente dependente de mão-de-obra qualificada. Assim, quando se começa um processo de especialização em determinados nichos, capital humano é fundamental. E infelizmente, ainda falta no Brasil um processo de formação dessa mão-de-obra. Embora já sejamos reconhecidos internacionalmente, eu acredito que a barreira a ser vencida é a do capital humano. O que precisamos desenvolver para alcançar uma posição de ainda maior destaque na arena global é a criação de mais centros de formação, os quais devem estabelecer parcerias com instituições educacionais e o mercado. Só assim conseguiremos ultrapassar essa barreira e galgar posições no ranking global.
CCAPS: E não é isso o que o C.E.S.A.R vem fazendo nesses 11 anos de existência?
PEIXOTO: Exatamente! O nosso capital humano é representado por um quadro de colaboradores de mais de 640 profissionais, provenientes de diversas regiões do Brasil e do mundo. A maioria conta com certificados reconhecidos internacionalmente, como PMP (Project Management Professional), IBM Enterprise Connectivity J2EE, IBM Websphere Studio, SUN Certified Java Programmer e Java Developer e outros. Isso só foi possível graças a várias ações desenvolvidas pelo Centro, como o programa de atração de estrangeiros, de incentivo à certificação e à pós-graduação, como o C.E.S.A.R.EDU.
CCAPS: Que os 11 anos se multipliquem por muitos mais então. E parabéns pela iniciativa!
PEIXOTO: Obrigado. |