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Caracteres
chineses
Leon
Z. Lee
Uma
rápida análise social, política e lingüística
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I.
INTRODUÇÃO
Um antigo provérbio norte-americano diz que "a
única história que vale a pena conhecer
é a que ainda não se conhece". Esse
ponto de vista se torna bastante evidente à medida
que a globalização comercial rapidamente
une pessoas, culturas e idiomas no Ocidente e Oriente
em busca de insights para formar relacionamentos comerciais
estratégicos. À distância, os caracteres
chineses podem parecer uma barreira de comunicação
intransponível, mas depois que somos apresentados
às complexidades sociolingüísticas
e políticas do idioma chinês, descobrimos
a singularidade e os pontos comuns em relação
ao nosso próprio idioma e nossa história.
Esta análise apresentará a linhagem política,
étnica e cultural dos caracteres chineses na
Ásia Oriental e seu impacto sobre o mundo moderno
das informações on-line.
II. LEGADO PAN-ASIÁTICO
Os caracteres chineses são usados na comunicação
impressa diária na China, Taiwan, Japão
e Cingapura, conforme exemplificado no site japonês
Asahi
Simbun,
e no chinês China
Web.
A Coréia do Sul emprega os caracteres parcimoniosamente
em certos substantivos, porém sistematicamente
ao escrever nomes próprios, conforme vemos no
site de notícias coreano Digital
Chosun.
O Vietnã utiliza os caracteres como parte de
seu patrimônio literário, enquanto as diásporas
chinesa, japonesa e coreana no sudeste asiático,
na Austrália, nas Américas e na Europa
empregam regularmente essa escrita na comunicação
diária ou em eventos de negócios.
A
explicação para o uso diversificado dos
caracteres chineses inclui os seguintes pontos: 1) Esses
caracteres representam um dos primeiros idiomas escritos
introduzidos na Ásia Oriental cerca de 5.000
anos atrás; 2) Por se basear em caracteres, a
pronúncia pôde evoluir através dos
séculos, enquanto o componente escrito permaneceu
relativamente estável; 3) Usados na prosa chinesa
clássica, os caracteres se tornaram o meio de
comunicação escrita padrão das
classes governantes e instruídas (semelhante
ao prestígio desfrutado pelo latim nas culturas
européias).
Os
sociolingüistas observaram que a ortografia padronizada
dos caracteres nos dois últimos milênios
ofereceu uma base pan-cultural através da qual
grupos de múltiplas etnias na Ásia Oriental
podem, simultaneamente, expressar suas diferenças
culturais regionais e, ao mesmo tempo, se identificar
com uma linhagem literária comum. Nos idiomas
alfabéticos, uma palavra pode se combinar com
sua pronúncia. Vejamos a palavra "leão",
por exemplo. A tradução da palavra no
Babelfish do Alta Vista, produz vários
resultados, como löwe (alemão), león
(espanhol), lion (inglês) e leone
(italiano). Diferentemente dos caracteres chineses,
a forma dessa palavra preserva a mesma ortografia, a
despeito das diferenças na pronúncia.
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Por exemplo, a clássica expressão
chinesa "A justiça é perseverante"
na Figura 1 é representada verbalmente
em mandarim como "Zheng Yi Chang Cun",
em japonês como "Sei Shi Jou Zon",
em coreano como "Chong Iu Sang Chon"
e em vietnamita como "Chih Nghia Thuong Ton".
Independentemente das diferentes pronúncias,
sua forma escrita permanece inalterada (informações
adicionais sobre o assunto podem ser encontradas
em http://en.wikipedia.org/wiki/Classical_Chinese).
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| Figura
1. "A justiça é perseverante"
é representada verbalmente em vários
idiomas asiáticos, porém sua semântica
permanece a mesma. |
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| Figura
2. A placa octogonal vermelha instrui o tráfego
a "parar", esteja ela escrita em
inglês "STOP", português
"PARE," francês "ARRET"
ou utilizando o caractere chinês "TING".
Os caracteres chineses funcionam de maneira
ideográfica semelhante no tocante a
suas características ortográficas,
semânticas e de pronúncia. |
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Esse
conceito é semelhante a um motorista que
se depara com uma placa de trânsito octogonal
vermelha e instintivamente entende que deve parar,
esteja a palavra escrita em francês "Arret",
português "Pare", em caractere chinês
"Ting" ou em inglês "Stop",
conforme explicado na página http://en.wikipedia.org/wiki/Stop_sign.
Embora o chinês clássico tenha sido
substituído como principal meio de comunicação
no início do século XX, seus vestígios
podem ainda ser observados nos idiomas asiáticos
modernos, como no hino nacional da República
da China (Taiwan) e em determinadas proclamações
feitas pelo imperador do Japão. O idioma
recebe títulos diferentes dependendo do local: |
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Wen
Yen, na China (http://www.omniglot.com/writing/chinese.htm)
Kanbun, no Japão (http://en.wikipedia.org/wiki/Kanbun)
Hanja, na Coréia (http://en.wikipedia.org/wiki/Hanja)
Chu Nom, no Vietnã (http://en.wikipedia.org/wiki/Chu_nom)
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III. PADRÕES ORTOGRÁFICOS
Em sociedades americanas e européias, a ortografia
é geralmente associada a tipos de fontes (por
exemplo, Verdana, Arial, Times Roman) e afeta a representação
visual do alfabeto (com serifa X sem serifa, por exemplo).
Nas sociedades asiáticas, a forma escrita de
um caractere chinês tem uma conotação
sociopolítica direta, já que sua composição
oficial é sancionada pelo governo. A não
observância desse detalhe complexo, mesmo que
de forma não intencional, pode gerar rixas e
controvérsias.
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Embora tenham existido variações
de caracteres há milhares de anos (derivadas
da caligrafia a pincel e do estilo regional),
o início do século XX trouxe reformas
lingüísticas que visavam facilitar
a comunicação e educação
pública. O resultado é o uso contemporâneo
de três estilos ortográficos oficiais:
1) Tradicional, 2) Simplificado e 3) Reduzido.
Os três padrões não são
completamente exclusivos e compartilham vários
caracteres, como mostra a Figura 3.
Por
exemplo, os caracteres para "centro"
e "pessoas" são escritos da mesma
forma nos três formatos. As palavras para
"veículo" e "porta"
são compartilhadas pelos conjuntos Tradicional
e Reduzido, enquanto "país" é
compartilhada pelos conjuntos Simplificado e Reduzido.
As palavras para "dragão" e "portal"
são pictogramas um do outro.
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| Figura
3. Os conjuntos de caracteres Tradicional,
Simplificado e Reduzido não são
completamente exclusivos e compartilham vários
caracteres (destacados em vermelho) |
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Os caracteres tradicionais (localmente denominados Fan-ti-zi)
são usados em Taiwan, Hong Kong e pela maioria
das populações de etnia chinesa no sudeste
asiático, Austrália e Américas
e Europa. Os componentes escritos seguem, com extrema
semelhança, os mesmos formatos estabelecidos
na China cerca de 2000 anos atrás, projetando
assim uma aura de patrimônio literário.
Para obter mais informações sobre os 12000
caracteres usados na comunicação diária,
visite http://en.wikipedia.org/wiki/Traditional_character.
Os
caracteres simplificados (localmente denominados Jian-ti-zi)
são usados na China e em Cingapura. Eles tiveram
sua origem na reforma lingüística chinesa
realizada no final dos anos 50 do século XX com
o objetivo de acelerar a alfabetização
e a educação pública no país.
Os caracteres complexos foram identificados pelo governo
e simplificados por redução dos traços
ou completa substituição. Devido ao crescente
poder econômico da China e à emigração
do país, esses caracteres estão gradualmente,
no século XXI, ganhando aceitação
internacional. Para obter mais informações
sobre o conjunto de caracteres chineses simplificados,
que utiliza cerca de 4000 caracteres, visite http://en.wikipedia.org/wiki/Simplified_character.
Os
caracteres reduzidos (localmente denominados Joyo
Kanji) são usados no Japão. Embora
também sejam conhecidos como caracteres simplificados,
alguns profissionais traçam uma linha divisória
nítida entre a implementação chinesa
e a japonesa. O Japão conseguiu reduzir simultaneamente
o padrão dos traços e reter a nuança
fundamental dos caracteres. Isso pode parecer um exercício
esotérico, mas os idiomas escritos costumam exigir
opiniões passionais. O sistema utiliza cerca
de 2000 caracteres. Para obter mais informações
sobre Kanji e o Kanji japonês, visite
http://en.wikipedia.org/wiki/Kanji
e http://www.omniglot.com/writing/japanese_kanji.htm,
respectivamente.
A
Coréia também utiliza caracteres tradicionais
chineses (localmente denominados Hanja), embora
em sua maior parte em nomes de pessoas e lugares. Cerca
de 2000 caracteres são usados nesse sistema e
você pode encontrar mais informações
em http://www.omniglot.com/writing/korean.htm.
O
Vietnã utiliza moderadamente os caracteres chineses
e somente nas versões do chinês clássico
Chu Noh e Chu Nom. Como o idioma foi romanizado
no início do século XX, são usados
alfabetos latinos (localmente denominados Chu Quoc-Ngu)
na comunicação escrita diária.
Para obter mais informações sobre o idioma
vietnamita, visite http://www.omniglot.com/writing/vietnamese.htm.
IV.
LEGADO POLÍTICO
Os debates lingüísticos costumam ter matizes
sociais, culturas, étnicas e políticas.
Isso também se aplica à discussão
sobre caracteres chineses tradicionais e simplificados.
O principiante pode achar que são idiomas diferentes,
porém uma análise mais detalhada logo
faz surgir entendimento e convergência. Os dois
grupos de caracteres são basicamente pictogramas
um do outro. Uma frase escrita em caracteres tradicionais
pode estar intimamente relacionada a seu equivalente
simplificado, como mostra a Figura 4.
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Figura
4. O chinês tradicional e o simplificado
realmente compartilham caracteres, como na frase
"O Brasil é um país muito bonito".
Pictogramas dos caracteres destacados em vermelho.
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A frase "O Brasil é um país muito
bonito" é vertida para o chinês como
Baxi Shi Ge Hen Meili Di Quojia (com um significado
literal da frase original). Observe que a frase só
contém três diferenças pictográficas;
todos os demais caracteres compartilham o mesmo formato.
Além disso, sem correlação direta
entre o chinês e o português brasileiro,
o país denominado Brasil foi adaptado foneticamente
para o chinês como Baxi, cujo significado
literal é Realmente Ocidental. Esse processo
de transcrição é praticamente uma
ciência hermética, já que os caracteres
chineses devem promover uma aproximação
fonética e, ao mesmo tempo, projetar uma boa
imagem através da semântica dos caracteres.
A
divisão entre os conjuntos de caracteres Tradicional
e Simplificado originou-se na guerra
civil chinesa
do século XX, travada entre as forças
Nacionalista Chinesa e Comunista. Em 1911, os nacionalistas
estabeleceram a República
da China
e continuaram o uso secular dos caracteres chineses
tradicionais. Contudo, após uma dura guerra civil
de 25 anos, os comunistas asseguraram a China continental
em 1949, estabeleceram a Republica
Popular da China
e iniciaram a reforma do chinês simplificado no
final dos anos 50. A geopolítica da Guerra Fria
fez os nacionalistas fugirem para Taiwan, onde estabeleceram
um governo rival e permaneceram desde então.
Dessa forma, os dois conjuntos de caracteres assumiram
um simbolismo sociopolítico no século
XXI através de afiliações culturais
e fidelidades governamentais.
De
um lado, os partidários do chinês Tradicional
podem ser considerados "puristas" por apoiarem
o mesmo estilo ortográfico usado cerca de 2000
anos atrás. Eles costumam condenar os caracteres
simplificados por carecerem de legitimidade e do verdadeiro
patrimônio cultural chinês. Do outro lado,
os defensores do chinês Simplificado podem ser
considerados "modernistas", já que
a expansão da alfabetização pública
através da reforma do idioma é uma necessidade
primordial. Sem esse investimento, talvez a China não
tivesse realizado sua proeza econômica moderna.
O
segredo conhecido é que China e Taiwan falam
o mesmo idioma oficial, o chinês mandarim. As
pessoas na China conseguem ler e entender os caracteres
do chinês Tradicional, já que os dois conjuntos
de caracteres são ensinados nos sistemas de educação
pública. As pessoas em Taiwan costumam entender
os caracteres do chinês Simplificado inferindo
sua forma derivada ou por comparação contextual,
como ilustra a Figura 4.
Em
termos mais contundentes, o conflito entre chinês
Tradicional e Simplificado é, na verdade, uma
disputa política dissimulada de controvérsia
socioligüística. Essa situação
desagradável é semelhante ao português
ibérico versus o português brasileiro.
Se o leitor estiver disposto a se esforçar, a
compreensão mútua pode ser obtida em algum
nível. Contudo, se resistir a essa interação,
o leitor pode se ocultar convenientemente por trás
do véu da dificuldade de compreensão,
conforme alusão feita no artigo Que
país legal! Gostei; vou levar
da Ccaps Newsletter.
Este
dilema também ilustra a relevância dos
Generalistas de localização ao
formularem simultaneamente a interdependência
de idioma, sociologia e relações internacionais
no setor de localização mundial. A simples
oferta de soluções tecnológicas
brutas e níveis de preço competitivos
deixou de ser motivação suficiente. Devemos
estabelecer um relacionamento estratégico com
a clientela que não permita a comoditização
do mercado. O caminho para o sucesso é integrar
todas as nuanças da base de clientes locais no
modelo de negócio.
V.
DIFERENÇAS DE ROMANIZAÇÃO
A romanização é a utilização
de alfabetos latinos na transliteração
fonética de certos idiomas como o chinês,
japonês, árabe, hindi e eslavo de base
cirílica. Contudo, existem vários padrões
de romanização que são personalizados
para idiomas específicos. Como cada padrão
possui suas próprias regras de interpretação,
pode haver inclinações sociopolíticas
inerentes (por exemplo, preferência de dialeto,
dominância da entidade política, seleção
de um idioma formal). Entender qual padrão é
apropriado para o público designado é
crucial para uma comunicação adequada.
Você pode encontrar mais informações
sobre o assunto em http://en.wikipedia.org/wiki/Romanization.
O
Japão emprega o método de romanização
Hepburn,
que associou alfabetos latinos aos escritos fonéticos
japoneses correspondentes. Por exemplo, a palavra sino-japonesa
para "em (para) cima" é representada
como Jyou, em lugar de Joo. Esse sistema
também eliminou grafias duplicadas de sistemas
rivais. Por exemplo, o sobrenome japonês Itou
era grafado como Ito, Itoo, Itoe
e Itoh.
A
China usa o Hanyu
Pinyin,
que se baseia na pronúncia oficial do mandarim
e é parte do padrão de Símbolos
Fonéticos do Mandarim das Nações
Unidas.
Taiwan
usa oficialmente o Tongyong
Pinyin
desde o ano 2000. Embora também se baseie na
pronúncia oficial do mandarim e tenha cerca de
80% de compatibilidade com o padrão Pinyin chinês,
sua adoção foi, na melhor das hipóteses,
lenta e esporádica. A maioria da população
de Taiwan ainda utiliza o padrão
Wade-Giles
do início do século XX.
A
questão da romanização da China
versus a de Taiwan levou a um curioso dilema: a existência
de grafias diferentes relativas à mesma pronúncia.
Na Figura 5, por exemplo, vemos que o país China
é escrito como Zhong Guo no Hanyu Pinyin
chinês, como Zhong Gwo no Tongyong Pinyin
de Taiwan e como Chung Kuo no Wade-Giles de Taiwan,
embora a pronúncia de todas as formas seja exatamente
da mesma maneira. Essa situação é
semelhante às grafias alemã e holandesa,
em palavras como navio (schiff : schip), maçã
(apfel : appel) e pedra (stein : steen).
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A
Coréia usava o sistema
McCune-Reischauer
antes de adotar o novo padrão
de romanização sul-coreano
no ano 2000. Embora a intenção fosse
aperfeiçoar a representação
das consoantes e eliminar marcas diacríticas
redundantes, alguns partidários do novo
padrão achavam que o sistema McCune-Reischauer
original tinha muita influência japonesa,
visto que fora desenvolvido em 1937, quando a
Coréia estava sob domínio do império
japonês.
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Figura
5. A romanização chinesa é
peculiar porque grafias diferentes podem ter
a mesma pronúncia. Vejamos o caso de
"China": embora romanizada como
Zhong Guo, Chung Kuo e Zhong Gwo, todas as
palavras são pronunciadas exatamente
da mesma maneira. |
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| Vejamos,
por exemplo, nomes de lugares baseados nos métodos
de grafia antigo e novo, como Pusan : Busan,
Ichon : Icheon, Cheju : Jeju (para
obter mais informações sobre a romanização
coreana, visite http://en.wikipedia.org/wiki/Korean_romanization).
No entanto, algumas palavras permaneceram as mesmas
em ambos os sistemas, como a capital Seoul. |
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VI. PADRÕES DE CODIFICAÇÃO DE CARACTERES
A codificação de caracteres para a Internet
e a indústria de software é a convenção
usada para armazenar informações lingüísticas
em um ambiente de computação, como o padrão
ASCII
dos idiomas alfabéticos latinos. Contudo, os idiomas
asiáticos que usam os caracteres chineses enfrentaram
vários desafios em seus esquemas de codificação
nos últimos 20 anos. Uma importante consideração
é se uma variante específica de pictograma
é armazenada como parte do seu valor de codificação
de caracteres. |
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Figura
6. A codificação alfabética
não armazena versões de pictogramas.
Sendo assim, seu valor de codificação
não é associado a um tipo de fonte
específico. |
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Na
codificação alfabética, a letra
é armazenada separadamente da sua variante pictográfica,
conforme ilustra a Figura 6. Dessa forma, a letra pode
assumir várias exibições de tipos
de fonte e manter o mesmo valor codificado. No exemplo
acima, a letra "A" preserva seu valor "0041"
em Unicode
embora sua exibição seja alterada nas
seleções de fonte Arial, Times Roman e
Stonehenge.
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| Figura
7. A codificação de caracteres armazena
versões pictográficas baseadas nos
padrões nacionais.
Contudo, a semântica do caractere permanece
a mesma, como no exemplo de "Portal". |
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Na codificação de caracteres, a variante
pictográfica é armazenada como parte do
seu valor de codificação, como mostra
a Figura 7. O caractere assume uma exibição
pictográfica específica atribuída
por governos nacionais específicos. No exemplo
acima, o caractere "Portal" mantém
o mesmo significado, mas assume várias versões
pictográficas e valores Unicode: 1) Tradicional
- 95DC, 2) Simplificado - 5173, 3) Reduzido - 95A2.
Para
gerenciar a proliferação de caracteres
chineses e conservar seus valores finitos de codificação,
o consórcio
Unicode
estabeleceu a iniciativa da unificação
Han
para consolidar os pictogramas de caracteres chineses
duplicados com base em um consenso internacional. Esse
consenso é necessário porque o idioma
está sob a jurisdição de Estados-Nação
e não sob o controle de organizações
internacionais, conforme ficou claro na controvérsia
Verisign-China de 2000.
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Figura
8. O caractere chinês para "Han"
literalmente significa "Chinês"
e é representado por pictogramas diferentes
nos três conjuntos de caracteres. Com a unificação
Han, os caracteres dos estilos Tradicional e Reduzido
compartilham o mesmo valor de codificação
Unicode. |
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Com
base nessa convenção, os caracteres chineses
com pequenos desvios pictográficos recebem o
mesmo valor Unicode, enquanto outros com aparência
mais divergente recebem valores de codificação
exclusivos. Por mais objetivas que sejam tais avaliações,
um certo grau de influência geopolítica
também está presente nessas atribuições.
Por
exemplo, o caractere chinês "Han" demonstrado
na Figura 8 é representado por pictogramas diferentes
nos conjuntos de caracteres Tradicional, Simplificado
e Reduzido. Contudo, os caracteres Tradicional e Reduzido
compartilham o mesmo valor de codificação
Unicode "6F22", enquanto a versão Simplificada
recebe o valor exclusivo "6C49".
Alguns
afirmam que o pictograma Simplificado é muito
vago para o reconhecimento comum, enquanto outros afirmam
que matizes nacionalistas e econômicas da China
levaram o fórum internacional a adotar essa convenção.
Para obter mais informações sobre essas
questões, consulte Unificação
Han
e o livro de Ken Lunde entitulado CJKV Information Processing,
ISBN : 1-56592-224-7, 1999.
VII. CONCLUSÃO
O uso dos caracteres chineses é uma dicotomia
de interações sociopolíticas e
lingüísticas da Ásia Oriental. A
ortografia versátil desses caracteres permitiu
que culturas e etnias regionais compartilhassem um mesmo
patrimônio literário nos últimos
dois milênios. Contudo, as reformas lingüísticas
iniciadas nos Estados-Nação nas últimas
cinco décadas também criaram representações
pictográficas de caracteres e padrões
de romanização divergentes. A unificação
dessas diferenças será o desafio das modernas
sociedades informatizadas congregadas na Internet.
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| Leon
Z. Lee é gerente de negócios internacionais
da Dell Inc. Ao longo de seus 15 anos de atividade
corporativa, trabalhou em diversas empresas transnacionais,
como a Nortel, IBM e Dell. Suas especializações
incluem: branding global, globalização
via Web, marketing localizado e gestão de
conhecimento. Seus interesses incluem: modelos militares
em escala, Kenjutsu (técnica da espada) japonês
e sociologia. |
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