Há
poucos anos, a preparação de certos arquivos
para tradução era uma tarefa que demorava horas.
E dependendo do lote de arquivos a serem preparados, até
mesmo dias! Mesmo com tanto tempo destinado à pré-produção,
nem sempre essas horas gastas resultavam em um projeto sem
problemas durante a fase de produção em si e
nas fases seguintes.
As ferramentas
de tradução, versão após versão,
vêm prestando um auxílio cada vez maior a esse
trabalho, permitindo que as empresas se tornem ainda mais
competitivas e eficientes. A cada nova versão, filtros,
plugins e conversores são adicionados à parte
principal dessas ferramentas, o que proporciona maior abrangência
de arquivos com os quais cada uma é capaz de lidar,
sem exigir dispendiosas horas de serviço manual.
Dentre
as ferramentas de auxílio aos tradutores (também
conhecidas como “CAT”, do inglês Computer-Aided
Translation) existentes hoje, as ferramentas para tradução
de software são as que passaram por um maior desenvolvimento
nos últimos tempos. Na área de desenvolvimento
de software, existe uma enorme quantidade de ferramentas,
linguagens e sistemas operacionais; cada um gerando e utilizando
os mais diferentes arquivos binários para as mais diversas
finalidades. Isso coloca os desenvolvedores de ferramentas
para localização de software em uma eterna corrida
para dar suporte às principais linguagens requisitadas
pelo mercado.
Há
pouco tempo, a principal linguagem de programação
utilizada nos projetos que requeriam localização
de software era Visual C++. Por esse motivo, essa foi uma
das primeiras linguagens a receber suporte de vários
programas de tradução que se especializaram
nessa fatia de mercado. Ainda hoje, o C++ é largamente
utilizado; entretanto, linguagens como Delphi, Java e .Net
(essas duas com o diferencial de serem multi-plataformas),
começaram a ganhar maior atenção por
parte dos desenvolvedores e das empresas de localização.
Isso fez com que as ferramentas de localização
de software fossem capazes de lidar com projetos que incorporavam
essas novas tecnologias.
Aparentemente,
o próximo foco dessas ferramentas será um suporte
à tradução de conteúdo de bancos
de dados. Atualmente, eles são utilizados em quase
todos os programas existentes, como sites de notícias
na Web, programas de controle de transações
de compra e venda, troca de informações, jogos
etc. Bancos de dados são utilizados em praticamente
todas as aplicações em que é necessário
guardar informações e deixá-las prontamente
disponíveis para acesso.
Poucas
ferramentas já oferecem um suporte real a essa necessidade,
e aquelas que oferecem ainda precisam amadurecer esse suporte,
tanto na quantidade de bancos de dados suportados quanto na
facilidade para o tradutor lidar com a ferramenta. Entre as
ferramentas que já oferecem suporte à tradução
de bancos de dados podemos citar Catalyst, da Alchemy, Visual
Localize, da Applied Information Technologies e o Multilizer.
Um outro
tópico que não vem (ou vinha) recebendo a atenção
merecida é um suporte de fato a linguagens de programação
para Web, como JSP, ASP, ASP.NET, PHP, JavaScript, VBScript
etc. Eu sinceramente acreditava que esse suporte só
aconteceria em um futuro mais distante, mas esse cenário
começou a mudar com a introdução do WizTom
for the Web, da ABLE Innovations, uma das primeiras ferramentas
a oferecer suporte direto a esse segmento do mercado de localização.
A demanda
por tradução de arquivos de Flash (SWF) e PDF
vem crescendo, mas eles fazem parte de um nicho do mercado
muito pouco abordado. As ferramentas de localização
esbarram em um problema técnico que impediria o suporte
a esses arquivos: seus formatos. Ambos são considerados
“arquivos finais”, destinados à publicação
e não à edição, o que impossibilita
traduzir o texto diretamente no próprio arquivo.
Recentemente
surgiram algumas alternativas para lidar com a tradução
de PDFs, uma vez que nem sempre (ou quase nunca) o cliente
tem em mãos o arquivo que o originou. São basicamente
ferramentas que utilizam o princípio de OCR (Optical
Character Recognition) para converter o PDF em um formato
mais amigável à tradução, como
XML ou RTF. Mas ainda existem muitos problemas com relação
à manutenção da formatação,
layout, distribuição das figuras no corpo do
texto e, principalmente, manutenção e organização
de tabelas.
Os arquivos
Flash são ainda mais problemáticos porque o
arquivo FLA, que seria o correspondente ao original do PDF,
não ajuda muito na tarefa de extração
de strings para a tradução. Para extrair essas
strings, a ferramenta deve ser capaz de destrinchar toda a
estrutura interna do arquivo FLA porque os textos podem estar
em diferentes cenas e camadas. Na ausência de uma ferramenta
com essa capacidade, uma possível saída seria
a criação de macros específicas para
extrair e re-inserir as strings utilizando a linguagem de
programação do Flash, o ActionScript. Essa macro
serviria para acessar as caixas de texto dinâmicas através
de um ID, que permitiria identificar e acessar o objeto caixa
de texto dinâmica. Porém, como a maior parte
dos textos em Flash é escrita em caixas de texto estáticas,
o ActionScript não consegue acessá-las, anulando
a eficiência dessa solução em potencial.
A Avral
foi uma das primeiras empresas a propor uma solução
para a localização dos arquivos do Flash (FLA
e SWF), com o desenvolvimento do Tramigo. Esta ferramenta,
entretanto, tem a mesma limitação descrita anteriormente:
ela só consegue traduzir caixas de texto dinâmicas.
Ou seja, se o autor do arquivo original (FLA) não se
preocupar com o processo de localização posterior
e usar caixas estáticas, a tradução das
strings só poderá ser feita exportando e importando-as
manualmente. Trata-se de um trabalho que consome muito tempo,
especialmente se servir apenas a uma simples análise
ou cotação de projeto.
O
futuro das ferramentas de localização de software
a Deus e às empresas desenvolvedoras pertence. A nós,
localizadores e engenheiros, cabe observar as tendências
e apresentar as dificuldades que encontramos no dia-a-dia
às empresas desenvolvedoras para que assim possam continuar
melhorando suas ferramentas. Somente assim estaremos todos
contribuindo para a evolução do mercado de localização.
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