América Latina: a caça ao tesouro
por Rebecca Ray


A globalização chegou mesmo na indústria de localização, mas ainda nos perguntamos que caminho devemos seguir. De acordo com Rory Cowan, CEO da Lionbridge Technologies, em sua principal citação no Fórum da LISA recentemente realizado em Washington D.C., nos Estados Unidos, a localização será cada vez mais reconhecida como parte de uma tendência maior à terceirização e, um dia, ganhará destaque na estrutura mais ampla de serviços offshore (prestados por empresas estabelecidas em outros países). A grande questão para os próximos anos é saber se a localização ganhará apenas mais destaque nos negócios offshore de outra pessoa, como ocorreu com as atividades de folha de pagamento e call center, ou se será incorporada ao modelo de desenvolvimento das empresas.

Com mais de um bilhão de pessoas falando mais de 14 idiomas e seguindo diferentes costumes e tradições, a Índia é a candidata perfeita para a localização. O simples fato de haver tantos idiomas já se traduz em várias oportunidades de negócio para a indústria. Shailendra Musale, um constante colaborador do Globalization Insider, e agora com a Neilsoft na Índia, destaca os últimos avanços no setor de localização nesse país. Você pode se surpreender com o que ele tem para dizer em Localization in India: Is the Market Ready? (Localização na Índia: o mercado está preparado?)

Se a globalização chegou com tudo, a vantagem para o nosso setor é sua contribuição: conteúdo, conteúdo e mais conteúdo. Mas o que é conteúdo hoje em dia? Dados desestruturados que crescem a passos largos e em fluxo contínuo em nacos, pedaços, fragmentos, áudio, voz etc. A boa notícia é que, independentemente do formato em que esteja agora, conteúdo será sempre apenas informação aguardando a transição para a próxima mídia, a próxima cultura, o próximo idioma. E nós ajudando a viabilizar isso tudo! Cada vez mais empresas encaram a localização hoje não como um mal necessário, mas como viabilizadora, embora ainda precisem de alguns esclarecimentos. Até mesmo funcionários da United Airlines fazem propaganda de suas habilidades lingüísticas (se bem que em inglês) nos guardanapos para coquetel distribuídos em vôos nos Estados Unidos: “Nossos comissários falam mais de 30 idiomas e dialetos. Quem sabe eles não falam o seu?”
Os mercados evoluem; enquanto alguns amadurecem, outros crescem, geralmente de modo dinâmico. É hora de deixarmos o receio de lado: são muitas as oportunidades, e as barreiras comerciais continuam caindo. Neste momento, representantes das Américas do Norte e do Sul estão negociando as condições da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), um acordo comercial que ampliará o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) para toda a região.

A América Latina, com uma população de mais de 500 milhões e 125 milhões de lares com um potencial conjunto de compra de US$ 1,16 trilhão (trilhão, não bilhão), comparado com os US$ 428 bilhões dos 10,7 milhões de lares nos Estados Unidos [fonte: agosto de 2003, The Importance Of Being Latin America (A importância de ser América Latina)], é de fato o “gigante adormecido” bem debaixo de nossos barbas (pelo menos para nós que moramos na América do Norte), conforme descreve Michael Cardenas em seu artigo que leva o mesmo título. Enquanto a estimativa de crescimento dos Estados Unidos e de outros mercados ocidentais é de aproximadamente 6% ao ano, o IDC (International Data Corporation) antecipa uma taxa média de crescimento arrebatadora para a América Latina; 16% ao ano. Estima-se que alguns desses países possam atingir níveis de crescimento de até 20% ao ano.

E como está a terceirização na América Latina? Muito bem, obrigado! Teddy Bengtsson, Sócio Fundador e CEO da Idea Factory Languages, descreve como sua nova empresa está se beneficiando dos recursos de terceirização na América Latina para atender o resto do mundo em Riding the Next Wave: Outsourcing to Latin America (Seguindo a nova tendência: terceirização na América Latina).

Qualquer que seja sua visão de futuro, claro está que ninguém, cliente ou prestador de serviço, pode se dar ao luxo de continuar fazendo negócios como antes. Agora é hora de levantar questões e apoiá-las ativamente. Peter Siegrist, que já foi co-fundador e CEO da STAR Group, mas atualmente é um investidor de risco, decidiu fazer isso se tornando um dos membros do Conselho Executivo da LISA. Veja o que ele prevê para o futuro e saiba porque acredita na importância de contribuir para a LISA e o setor em geral, em Spotlight: Hanspeter Siegrist (Hanspeter Siegrist em destaque).
Veja de que forma você pode contribuir:

  1. seguindo os padrões da indústria (TMX, TBX, XLIFF, TWS ou o modelo de QA da LISA);
  2. agendando reuniões com seus três principais clientes para discutir o que eles vêem como necessidades não-atendidas no ano;
  3. fornecendo o treinamento apropriado para seus funcionários através de workshops da LISA (no Vale do Silício);
  4. apoiando a ética do setor;
  5. aprofundando seus conhecimentos sobre a Web Semântica (membros da LISA podem acessar a apresentação que Leo Obrst fez sobre o assunto em Washington D.C. no site da LISA) e conhecendo os mais recentes avanços em aplicativos de voz (membros da LISA podem acessar as apresentações sobre a globalização nessa área do site da LISA);
  6. escolhendo uma questão que a LISA deveria, mas ainda não está resolvendo, e entrando em contato com Michael Anobile para oferecer sua solução e disponibilidade. Para saber o que o Diretor-Gerente da LISA tem a dizer sobre o foco da associação em 2004 com seu novo conselho, novas alianças estratégicas e coerente estratégica, leia a Carta do Diretor (em inglês).

Não fique parado! Pegue o telefone, coloque suas idéias em um e-mail.

Não fossem as opiniões de John Freivalds, nossa primeira edição do ano não estaria concluída. Veja o que ele tem a dizer sobre a China, o novo grupo de capital de risco e captação de recursos da CIA para tradução automatizada, em seu mais recente “Money Talks” (A voz do dinheiro)
Gostaríamos de informá-lo que, conforme os resultados da nossa recente Pesquisa de número de leitores, o Globalization Insider será publicado mensalmente a partir de hoje. Fique atento e de olho nas notícias sobre novas publicações que a LISA disponibilizará em breve.

Receba nossos votos de um Ano Novo repleto de paz e prosperidade ou, como diria Chevy Chase em turco, “Yeni Yiliniz Kutlu Olsun!”

Os comentários de nossos leitores sobre este artigo são sempre muito bem-vindos. Envie seu e-mail para o Redator, em
letters@lisa.org.

Durante toda sua carreira, Rebecca Ray (Rebecca@lisa.org) tem ensinado a pessoas da área técnica e de negócios como desenvolver seu "reflexo da globalização". Ela foi pioneira em projetar, testar, adaptar e comercializar software fora dos EUA para empresas como IBM, Netscape Communications, Symantec e Sun Microsystems. Ela é co-autora do livro "Doing Business in the USA: Marketing and Operations Strategies for Success.”

 

Reimpresso com a permissão da "Globalization Insider", Volume XIII, Edição 1.1. © The Localization Industry Standards Association (LISA: www.lisa.org) e S.M.P. Marketing Sarl (SMP) 2004. Todos os direitos reservados.

Navegando em busca de recursos

Descubra os recursos on-line disponíveis para profissionais de tradução neste artigo, escrito pela tradutora autônoma e música Amy Duncan.

Dica de localização da Ccaps

A partir dessa edição, Ricardo Alves Junior, nosso engenheiro de software, fornecerá dicas gerais de tradução de textos e localização de produtos.