Benefícios
do uso de CMS na indústria de equipamentos médicos
Andres Heuberger
Como
as empresas de dispositivos médicos implementam sistemas
de gerenciamento de conteúdo |
| |
Os
fabricantes de dispositivos médicos estão
enfrentando uma crise no gerenciamento de informações.
Procurando um aumento da receita, as empresas estão
entrando em mercados em desenvolvimento a uma velocidade
recorde. Em mercados maduros, o aumento da competição
significa que os ciclos de desenvolvimento do produto
devem ser reduzidos. E tudo isso está acontecendo
juntamente com o aumento dos requisitos de conformidade
no mundo.
Não
é surpresa que os grupos responsáveis
pelo desenvolvimento e publicação de documentação
internacional estejam enfrentando exigências contraditórias
entre as vendas (mais rápido!), regras (cuidado!)
e gerenciamento (mais com menos!).
As
exigências da documentação estão
aumentando. Os ciclos de desenvolvimento de produto
são encurtados, e cada novo produto gera vários
documentos com o objetivo de regular a venda, o uso
e a manutenção do dispositivo. A maioria
dos países nos quais o dispositivo está
sendo vendido requer uma tradução ao idioma
local de grande parte dessas informações.
Os clientes, a força de vendas da empresa e até
mesmo os órgãos reguladores estão
exigindo novas mídias de produto e formatos.
Em face desse aumento das necessidades em torno da documentação,
os processos existentes de elaboração,
tradução, controle de qualidade, produção
e manutenção das informações
estão simplesmente se perdendo pelo caminho.
Essa
crise não se limita aos gigantes do setor de
dispositivos ou a um segmento específico. Trata-se
de um problema que atinge a todos, ameaçando
da mesma forma empresas grandes e pequenas, em todos
os setores da indústria de dispositivos médicos.
Promessas e mais promessas
Enfrentando esse assombroso desafio, os fabricantes
de dispositivos estão buscando uma solução
nos sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMSs,
Content Management Systems). Lançando mão
de conceitos como “fonte única” e
tecnologias como o XML, os fabricantes de dispositivos
esperam automatizar processos, eliminar a redundância
no conteúdo e apresentar informações
em um formato neutro quanto a restrições
de produtividade e de mídia.
A
indústria de CMS está direcionando suas
vendas para o alto gerenciamento. Argumentos fundamentais,
como aumento de receita e redução de custo,
são objetivos comerciais comuns. As implementações
de CMS podem aumentar o rendimento de uma empresa de
várias formas.
A
demora no processo de tradução e documentação
é responsável pela maioria dos atrasos
no lançamento dos produtos. Por outro lado, o
lançamento prematuro leva a um aumento quantificável
da renda. A retenção do cliente é
uma vantagem competitiva que pode ser aumentada oferecendo-se
melhores serviços, informações
úteis e suporte ao idioma local aos clientes.
A entrada em um novo mercado requer documentação
e materiais de suporte às vendas no idioma local,
e um CMS adequadamente estruturado pode reduzir, de
forma significativa, os custos associados à tradução.
Mas
um sistema CMS não permite somente o aumento
da receita das empresas. Ele também gera oportunidades
significativas de redução de custos. A
maior reutilização das informações
e o aumento da criação, a redução
dos esforços de tradução e publicação,
a diminuição dos custos de manutenção
e distribuição já permitiram a
algumas empresas economizar 50% de seus orçamentos
para publicações multilíngües.
Os
consultores e fornecedores de CMS facilitam aos clientes
potenciais o aproveitamento desses benefícios
que se baseiam em números (consulte o quadro
“Criando um caso de negócios para CMS”).
Mas quanto aos fabricantes de dispositivos médicos,
esse discurso é somente parte da história.
Segundo Greg Johnson, líder de projeto sênior
da Medtronic Inc. em Minneapolis, Minnesota, “custo
é a última coisa a ser considerada. Em
vez de justificar custos, os fabricantes de dispositivos
deveriam se concentrar nos benefícios quanto
à qualidade, controle das fontes e capacidade
de auditoria que um CMS pode oferecer.” Johnson
lidera os esforços de CMS da maior empresa de
dispositivos médicos do mundo. Assim sendo, vale
a pena guardar suas palavras. Ele e sua equipe desenvolveram,
mantiveram e criaram o conceito do Sistema de publicação
avançado da Medtronic (MAPS, Medtronic Advanced
Publishing System) e fizeram grandes investimentos na
validação desse CMS.
De
fato, no ambiente comercial regulamentado do setor de
dispositivos, a possibilidade de rastreamento e auditoria
é uma consideração importante.
As restrições quanto à criação
e alteração de um CMS obrigam os fabricantes
a controlarem cuidadosamente o conteúdo de todos
os materiais que estão sendo publicados, em qualquer
idioma e formato. Mas esse tipo de controle não
ocorre facilmente, nem é barato. Os fabricantes
de dispositivos gastam muito tempo e dinheiro para validar
os sistemas, inclusive as implementações
de CMS. Os benefícios, no entanto, compensam,
e muito, os custos. Segundo Johnson, o MAPS foi completamente
validado de forma que a Medtronic soubesse que um manual
compilado em português, por exemplo, equivale
exatamente ao material de origem em inglês, e
nunca será diferente.
Esse
tipo de controle rígido e as oportunidades de
aumento de renda e redução de custos se
combinam em um argumento interessante a favor do investimento
em CMS por parte das empresas de dispositivos. Segundo
Göran Nordlund, gerente de atendimento ao cliente
da MAQUET Critical Care, em Solna, Suécia, “convencer
a gerência da empresa não é difícil.
O desafio está na implementação
do CMS.”
Abordagem no mundo real
Implementações bem-sucedidas de CMS levam
tempo — muito tempo. A MAQUET descobriu que a
implementação levava muito mais tempo
que os poucos meses originalmente planejados. O conselho
de Nordlund é o seguinte: “Crie o plano
de implementação e, em seguida, dobre
o período.”
Para
gerenciar qualquer esforço de longo prazo, as
empresas precisam de planos sólidos. Segundo
Ben Martin, sócio da Industrial Wisdom, em Denver,
Colorado, grandes esforços de implementação
de CMS se resumem a quatro etapas principais: |
Desenvolva
uma visão. Para desenvolver a visão
e os objetivos do sistema, Johnson da Medtronic logo
formou uma equipe com integrantes de vários departamentos
para definir objetivos quantificáveis, avaliar
os esforços de outras empresas, incluir o suporte
de gerenciamento e desenvolver um plano de implementação.
“Conduzimos muitas pesquisas e desenvolvemos estudos
de casos”, diz Johnson. “Participamos de
conferências, entramos em contato com palestrantes
e assistimos a apresentações de outras
empresas — J.D. Edwards, Océ, Caterpillar.
Procuramos aprender com as experiências alheias.”
O
apoio da alta gerência é importante na
implementação de longo prazo de um CMS.
Para Norland, “é necessário que
a alta gerência dê sinais claros e fortes
a todos de que o CMS é importante para o futuro
da companhia. Isso assegura o financiamento contínuo
e cria um sentido de urgência em toda a empresa”. |
 |
Otimize o conteúdo. É importante
integrar a criação e a tradução
desde o início. “Uma equipe integrada pode
superar falhas de conhecimento de ferramentas, processos
e requisitos”, assegura Martin. A integração
entre profissionais de localização garante
que a equipe de CMS pense sobre a tradução
do conteúdo desde o início e se concentre
em questões como o gerenciamento de terminologia
e oportunidades de reutilização. Dessa
forma, os sistemas podem ser elaborados desde a base
até a criação de memórias
de tradução (TMs, Translation Memories)
de apoio, verificadores de ambigüidades e glossários
terminológicos.
As
equipes de implementação devem decidir
se querem ou não incluir os materiais herdados.
A conversão da documentação existente
pode tornar o processo mais complexo, demorado e custoso,
não somente para a importação de
textos, mas também para a definição
de guias de estilo adicionais e a conversão de
TMs.
Reestruture
os processos. “Não automatize
processos ruins”, adverte Johnson. “Em uma
implementação de CMS viável, o
trabalho de processo requer tanta atenção
quanto o trabalho de ferramenta.” Ele aconselha
as empresas a documentarem os processos existentes antes
de registrar os novos processos propostos. Essa abordagem
emancipa a equipe e ajuda os funcionários na
transição dos antigos processos.
É aconselhável contratar um consultor
externo para liderar a organização nessa
reformulação. Em geral, é mais
fácil para alguém de fora fazer perguntas
difíceis e sugerir mudanças no fluxo de
trabalho. Integradores de sistemas, palestrantes de
conferências e especialistas indicados por empresas
visitadas para dar palestras são todos boas fontes
de consultoria. Quando há muitos processos em
que se concentrar, o gerenciamento de mudanças
se torna particularmente importante. “A transparência
de quem são os proprietários e a clareza
dos processos de controle de mudanças devem ser
definidas por toda a ‘cadeia de fornecimento de
conteúdo’”, recomenda Martin.
Conecte
tecnologias de suporte. Admitida a impossibilidade
por parte das empresas de prolongar os processos existentes,
em geral, elas iniciam o processo de desenvolvimento
de um sistema substituto. Segundo Martin, “Muitas
vezes, as decisões em torno de ferramentas impulsionam
esse processo. Em vez disso, as avaliações
das tecnologias deveriam vir em último lugar.
Em algumas empresas, isso ocorre porque o departamento
de TI controla o conteúdo. Outras empresas têm
políticas de ‘comprar’ em vez de
criar soluções personalizadas.”
Seja
qual for a lógica, uma decisão apressada
em termos de tecnologia pode restringir os fluxos de
trabalho examinados às capacidades de ferramentas
disponíveis no mercado. A Medtronic estava prestes
a adquirir uma solução de mercado até
que a equipe de implementação percebeu
que essas ferramentas de finalidades gerais eram, por
necessidade, desenvolvidas para um mercado amplo e não
atendiam a muitos dos requisitos da Medtronic. Do mesmo
modo, Nordlund diz que as ferramentas avaliadas por
sua equipe “eram boas para produzir catálogos
de peças sobressalentes, e adaptá-las
às necessidades da MAQUET sairia muito caro”. |
 |
| O Infologic da Zert foi
desenvolvido por escritores técnicos
para escritores técnicos. |
|
Desde o início, a MAQUET e a Medtronic
perceberam que a chave para uma implementação
bem-sucedida de CMS é que nenhuma outra
empresa se encontra exatamente na mesma situação
e que uma solução de CMS geral não
resolveria seus problemas específicos.
Em vez disso, a Medtronic desenvolveu seu MAPS
do zero. A MAQUET ajudou a Zert a desenvolver
o CMS Infologic de acordo com suas especificações.
“O Infologic é exclusivo. Foi desenvolvido
por escritores técnicos. Os desenvolvedores
entrevistaram a equipe da MAQUET com respeito
às nossas necessidades e, então,
levantaram o capital para desenvolver esse sistema”,
explica Nordlund.
|
|
“As
implementações de CMS parecem diretas,
mas podem facilmente se desvirtuadas”, avisa Martin.
Uma implementação eficiente requer uma
maturidade organizacional significativa porque: 1) durante
a implementação, as empresas podem ser
compradas, vendidas, reorganizadas e submetidas a uma
nova gerência; 2) o financiamento deve passar
por diversos ciclos de orçamento; 3) uma implementação
bem-sucedida requer processos bem definidos para o planejamento
das informações; 4) sistemas de TI redundantes
se sobrepõem, e a adaptação de
um único padrão de mensagens em XML requer
uma ampla coordenação; e 5) novos tipos
de comunicação entre os funcionários
e a empresa precisam surgir dos silos departamentais.
Que
empresa pode dizer com honestidade que se destacou em
tudo isso? |
Remando juntos
Para Johnson, “nos últimos 25 anos,
as posições de composição
técnica têm sido empregos do tipo
‘o que se vê já é o
resultado’, em que os escritores gastavam
tempo enfeitando as páginas em vez de entender
o conteúdo técnico e fazer as tarefas
de composição”. Em sua experiência,
escritores técnicos gastam somente 10%
do tempo na elaboração das tarefas.
O resto do tempo é gasto em “tarefas
relacionadas às páginas”,
como editoração eletrônica
e compilação de índices.
|
|
|
A
implementação de um CMS muda fundamentalmente
as posições de composição
técnica. Nordlund diz que os escritores são
forçados a pensar mais ao escrever. “Já
que não se vê o resultado, há menos
oportunidade de se colocar um toque pessoal no texto”,
diz ele. Os escritores, essencialmente, devem aprender
uma nova forma de trabalhar. Embora possa ser algo positivo
(“Posso aprender novas habilidades”), a
maioria dos escritores considera esse fato como algo
negativo (“Sou forçado a aprender novas
habilidades”). Segundo Nordlund, algumas empresas
perderam 2/3 de seus escritores técnicos durante
a implementação de um CMS. Mas o problema
não é só a reviravolta dos funcionários.
Os desafios podem ser multiplicados se os funcionários
desmotivados permanecerem. Com a sua estagnação,
ameaçam o progresso da implementação.
Tradutores
e empresas de tradução enfrentam o mesmo
desafio. Se os clientes implementam um CMS, esses fornecedores
devem se adaptar ou correm o risco de os perderem. Os
prestadores de serviço precisam adaptar seus
processos a novos fluxos de trabalho, fornecendo à
sua equipe e aos tradutores treinamentos com novos formatos
de arquivos e ferramentas, além de aprender como
substituir a receita resultante de tarefas obsoletas
(como DTP, por exemplo) por novos serviços, como
consultoria ou assistência de criação.
Para
minimizar os problemas com funcionários, as equipes
bem-sucedidas de implementação de CMS
enfatizam consideravelmente as comunicações.
“Nunca é o suficiente”, diz Johnson.
As equipes precisam examinar possíveis problemas;
por exemplo, como atender as estratégias, como
fornecer comentários, como definir e comunicar
o âmbito da implementação do CMS
e como manter a equipe atualizada com o progresso. “Os
planos de comunicação devem ser tão
longos e detalhados quanto o plano de implementação
do CMS”, aconselha Johnson.
Para
conseguir o amplo apoio aos funcionários, Johnson
recomenda usar uma abordagem mista de recompensa e penalidade.
Funções e cargos existentes são
mantidos, ao mesmo tempo em que o RH desenvolve funções
e cargos originais que incluam novos requisitos de acordo
com o trabalho em um ambiente de CMS. Os gerentes trabalhariam
com o RH no sentido de premiar as pessoas que dominassem
as novas habilidades, promovendo-os a essas novas funções
(juntamente com um aumento de 15 a 20% de salário).
Essa seria uma forma de premiar os que saírem
na frente e encorajar o restante da equipe a seguir
o mesmo caminho. Por outro lado, a gerência da
empresa precisa ser rígida durante todo o período
da implementação. A organização
precisa estar pronta para perder algumas pessoas. Se
necessário, elas precisam ser dispensadas. Para
Johnson, “basta uma pessoa desmotivada para afetar
de maneira drástica todo o esforço”.
CMS - uma necessidade
A implementação de um CMS demanda coragem.
Mas, segundo Johnson, as empresas de dispositivos médicos
não têm escolha: “Se um fabricante
de dispositivos deseja crescer e atender aos requisitos
de auditoria, um CMS é imprescindível.”
Muito embora a implementação de CMS possa
ser dolorosa, os fabricantes de dispositivos médicos
se beneficiam em vários níveis.
Benefícios
principais. “A Medtronic atinge uma economia de
custos na ordem de milhões de dólares
anualmente”, segundo Johnson. A economia é
feita na cadeia de criação, tradução,
produção e publicação de
documentos. Após avaliar os fluxos de trabalho
de tradução, a MAQUET conseguiu reduzir
os custos de tradução em 30%, e de manutenção
de documentos em 75%. Além disso, a implementação
bem-sucedida de um CMS permite às empresas reduzir
a duração dos ciclos. A MAQUET, por exemplo,
conseguiu eliminar todas as tarefas de editoração
eletrônica. Manuais do usuário de 40.000
palavras, traduzidos para 15 idiomas, agora podem ser
entregues em até quatro semanas antes do que
costumavam ser.
Benefícios
secundários. As empresas de dispositivos médicos
também têm vantagens secundárias
significativas. A mais importante é que os fabricantes
de dispositivos conseguem cortar as despesas associadas
com tarefas sistemáticas. Por exemplo, o controle
de qualidade feito manualmente em cada um dos dez manuais
traduzidos para 15 idiomas com o fim de evitar erros
é ineficaz e não contribui para o entendimento
geral de qualidade porque é impossível
generalizar a partir de erros individuais. Um CMS validado
resolve ambos os desafios. Embora subjetiva, a melhora
na qualidade do conteúdo também é
resultado da implementação de um CMS.
Segundo Nordlund, “a documentação
menos extensa e mais uniforme da MAQUET agradou os usuários
do mundo todo”.
Melhor,
mais barato e mais rápido — quem disse
que você não pode ter tudo isso? |
|
| |
 |
| Andres Heuberger
é presidente da ForeignExchange Translations,
Inc., uma empresa de localização médica.
Ele é integrante do conselho editorial da
MultiLingual Computing & Technology. |
|
|
|
|