Continuando nossas dicas sobre os tipos de programação de sites e maneiras de lidar com eles para posterior localização, veremos agora como e o que pode ser feito.
Não há nenhuma ferramenta que “entenda” todos os códigos de programação existentes para cliente ou servidor que disponibilize aos tradutores apenas o que realmente precise ser traduzido.
Alguns programas tentam facilitar essa tarefa marcando o que precisa ser traduzido seguindo alguns padrões de cada linguagem de programação. Entretanto, cada programador pode utilizar técnicas e métodos de programação muito variados, fazendo com que essas ferramentas incluam código de programação nos textos traduzíveis. Durante a tradução, a remoção ou adição de aspas, ponto, ponto e vírgula, ou outro caractere utilizado pela linguagem de programação pode comprometer o funcionamento do código.
Para evitar acidentes nos códigos de programação, normalmente os arquivos são pré-preparados para serem traduzidos. Posteriormente, o engenheiro de localização (que deve conhecer muito bem as linguagens de programação e os processos de tradução) revisa os arquivos pré-preparados e faz os ajustes necessários para se certificar de que apenas o que realmente precisa ser traduzido esteja disponível.
Este procedimento economiza tempo e previne problemas com depuração de código, sendo mais fácil detectar onde se encontra o problema e a maneira de solucioná-lo.
Porém, para evitar etapas adicionais no processo de tradução, o melhor é fazer com que os desenvolvedores mudem alguns (maus) hábitos, que são comuns na criação dos códigos de programação.
Nestes dois exemplos, mostramos como o processo é normalmente feito e como poderia ser melhorado:
1. Nunca separe partes de texto que formarão uma frase durante a execução do código
Para certos idiomas, a ordem das palavras pode precisar ser alterada durante o processo de tradução. Se os textos estiverem separados, a tradução correta da frase pode ser dificultada. No exemplo abaixo, as aspas são consideradas delimitadoras de texto, o que quebraria uma frase em duas. O melhor método para este caso seria então o de substituição de placeholders. Veja um exemplo em JavaScript que mostrará a frase “Você está na página 3 do documento aberto.” numa caixa de alerta:
RUIM
pag_num = 3;
alert (“Você está na página ” + pag_num + “ do documento aberto.”);
IDEAL
myString = new String(“Você está na página %n do documento aberto.”);
rExp = /%n/gi;
pag_num = 3;
results = myString.replace(rExp, pag_num);
alert (results);
2. Não deixe os textos traduzíveis junto com o código em vez de deixar todas os textos hardcoded, é preferível declarar constantes em um arquivo separado do código de programação. Assim, os textos desse código de programação podem ser traduzidos em um arquivo separado. Deste modo, a lógica (código) do site não precisa ser editada, como no exemplo a seguir em JavaScript, utilizando a frase anterior:
RUIM
pag_num = 3;
alert (“Você está na página ” + pag_num + “ do documento aberto.”);
IDEAL
texto.js
myString = new String(“Você está na página %n do documento aberto.”);codigo.html
<script>
<script language=”JavaScript”>
rExp = /%n/gi;
pag_num = 3;
results = myString.replace(rExp, pag_num);
alert (results);
</script>
No próximo post veremos mais algumas dicas de programação de sites voltada para a localização e falarei sobre o quarto tipo mencionado na primeira mensagem dessa série: sites baseados em bancos de dados.Até lá!
