Pode parecer óbvio que um tradutor, tendo finalizado o processo de tradução, revise cuidadosamente o texto que acabou de produzir. Mas não é.
Pelo que tenho constatado em meu trabalho de tradução, revisão e versão como um todo, uma parte considerável dos tradutores sequer dá uma boa lida no texto final, para ao menos detectar erros de digitação e falta de atenção.
O ideal, em todo trabalho de tradução, é que o profissional faça primeiramente uma releitura cuidadosa de seu texto, comparando-o com o original. O objetivo disso é ver se existe algum trecho que não foi traduzido ou que foi interpretado incorretamente, causando um erro de tradução. Isso se chama cotejo.
Em seguida, o tradutor deve fazer o que chamamos de revisão final: reler toda a tradução, deixando o original de lado por um tempo, para detectar erros gramaticais, construções confusas, tom da linguagem, repetição de palavras etc. Isso assegura a qualidade do texto final; é um processo equivalente ao que chamamos de Quality Assurance (QA) em localização.
Por último, é preciso que o tradutor se coloque na posição de leitor e veja se seu texto “está em bom português”, isto é, se soa como um texto natural do nosso idioma. Acho que é aí que reside a maior dificuldade do processo tradutório. Contudo, é uma etapa crucial para se obter qualidade no texto que produzimos como tradução – ela determina se a tradução será fluida, fácil de entender e com estrutura e vocabulário compatíveis com a língua alvo.
É claro que, depois de uma jornada de infinitas pesquisas e nós no cérebro para se traduzir um texto difícil ou mais complexo, dá uma preguiça danada de reler tudo e fazer revisão. Quando estava na faculdade, tomei algumas broncas do meu professor de tradução por não ter revisado meu texto e, conseqüentemente, ter cometido erros bobos. Eu também tinha muita preguiça de fazer revisão. Mas com o incentivo que me foi dado, de melhorar a qualidade do meu texto, e com o desejo de produzir traduções impecáveis, fui me forçando a reler o que escrevia e fiquei surpreso com a quantidade de erros que se pode encontrar numa sabatina textual.
O resultado é que, hoje, além de passar o corretor ortográfico – uma ferramenta útil, muitas vezes ignorada por alunos de tradução e até tradutores mais experientes – criei o hábito de reler meu texto, nem que seja apenas uma vez. Sempre – e faço questão de enfatizar isso – sempre, encontro alguma coisa que pode ser melhorada, consertada, modificada.
Fica aí o incentivo. Quer melhorar a qualidade da sua tradução e valorizar sua assinatura enquanto profissional da área? Então, revise seu texto!
