O internetês pode significar “a morte da língua inglesa”, segundo um artigo da Newsweek publicado no ano passado. Gabriel escreveu um post para o blog sobre o fato de o internetês ser uma nova variante da língua, uma espécie de novo dialeto estimulado por uma nova comunidade. Os puristas temem essa nova “língua” porque imaginam que ela irá, de alguma maneira, assassinar o inglês contemporâneo ou prejudicar a capacidade que as pessoas têm de se comunicar adequadamente em qualquer língua.
Em seu livro, Txtng: the Gr8 Db8, David Crystal, o mais prolífico linguista da Inglaterra, duvida que a escrita virtual abreviada seja capaz de assassinar a língua. Ele argumenta que a linguagem abreviada usada em mensagens instantâneas não é tão deturpada quanto as pessoas imaginam e que seu uso de fato torna os jovens melhores comunicadores. Crystal se vale de provas linguísticas concretas para melhor fundamentar tal alegação. Segundo ele, os elementos que caracterizam a linguagem da mensagem instantânea são os pictogramas, o uso de iniciais, os acrônimos, as contrações etc. Crystal aponta exemplos similares na prática linguística, desde os antigos egípcios até a radiodifusão do século XX.

Shakespeare usava livremente as elisões, uma sintaxe inovadora e milhares de palavras inventadas (seu próprio nome era assinado de seis maneiras diferentes). Mesmo algumas convenções comuns são relativamente recentes: as regras para o uso do surrado apóstrofo só foram estabelecidas em meados do século XIX. O argumento é que o texto adaptado é o antecessor da mensagem de texto, portanto, podemos aceitar também que o inglês é uma língua de vândalos. Quem sabe o que p.m. significa? “Post meridiem”, expressão latina para “após o meio-dia”, registrada pela primeira vez por algum delinquente em 1666.
Os resultados de um estudo realizado na Grã-Bretanha no ano passado mostraram que as crianças que teclavam – e usavam muitas abreviações – tiravam notas mais altas nas provas de leitura e de vocabulário. De fato, quanto mais adeptas elas eram das abreviações, melhor se saíam na hora de soletrar e redigir. Segundo Crystal, “antes de poder usar formas abreviadas de maneira eficaz e brincar com elas, você precisa ter uma noção de como os sons da sua língua se relacionam com as letras”. O mesmo estudo também concluiu que as crianças que tiravam as notas mais altas foram também as primeiras a ter seus próprios telefones celulares.
O comitê educacional da Irlanda discorda. Após analisar 37.000 estudantes irlandeses entre 15 e 16 anos, o comitê concluiu que eles estão soletrando cada vez pior e se esquecem de pontuar as frases quando redigem textos acadêmicos. O relatório classificou os jovens de hoje como “indevidamente dependentes de frases curtas, tempos verbais simples e vocabulário limitado”. Muitos sites de notícias, como o Info online, divulgaram os resultados da análise. A Fox News, por exemplo, publicou que “nas provas, a grande maioria recorre a respostas vagas e extremamente sucintas para resolver questões discursivas, em vez de encará-las como convites para explorar o assunto estudado e para expressar e aquilatar a abrangência e a profundidade de seu aprendizado e de sua compreensão”. Na Irlanda, os jovens costumam ganhar celulares por volta dos doze anos.
Afinal, quem tem razão? Escrever mensagens de texto impede que alguém use sua própria língua adequadamente? Ou trata-se apenas de uma questão de cultura e de costumes? Será que os irlandeses são mais preguiçosos do que os ingleses? Qual a diferença entre o uso do internetês e o uso da taquigrafia quando o objetivo é fazer anotações?
Talvez os professores devam enfatizar para os alunos que o internetês e a escrita convencional podem conviver em harmonia. E explicar que, ao usar seu aparelho de mensagens favorito para enviar torpedos, é possível poupar tempo e tendões e, ao mesmo tempo, conservar a capacidade de redigir e pontuar corretamente uma frase eloquente. Uma variante não precisa eliminar a outra, e sim complementá-la.
Vida longa à evolução da comunicação!

Shannon Sorensen