Olá, amigos! Este post não pretende definir o tradutor, mas passar a minha impressão pessoal da profissão.
Ingressei na Ccaps há 3 meses e estou completamente fascinada por tradução. Nunca havia parado para analisar como a função de um tradutor não é pura e simplesmente a de descodificar um texto, sendo fiel à sua reprodução original. Pensando bem, isso tornaria a missão quase impossível de ser realizada. Transpor para a língua de chegada o verdadeiro significado embutido na língua de saída exige muito cuidado para que se possa atingir a máxima equivalência textual.
Pesquisando um pouquinho descobri que, no século XIX, o conceito de tradução era algo bastante abstrato, como podemos ver na citação do Frei Luís de Leon: “Quem traduz deve ser fiel e cabal e, se possível, contar as palavras para dar outras tantas, e não mais e nem menos, da mesma qualidade e condição e variedade de significações que as originais têm, sem limitá-las a seu próprio sentido e opinião”. Nossa, muito impessoal, não acham?
Mas ainda bem que ao longo dos tempos foi-se constituindo uma nova forma de construção da tradução ideal, partindo para a busca do conceito de que o real significado do texto está além dos limites do próprio texto e chegando à busca do que realmente foi pretendido pelo autor. Deve-se ter um cuidado extra com a evolução da palavra, a combinação delas em um determinado contexto e as diferenças culturais que fazem interpretações diferentes a uma mesma expressão. Ora, se dentro de uma mesma língua temos certa dificuldade quando nos deparamos com neologismos e regionalismos, imagine o quão complexo se torna essa relação entre línguas diferentes.
Palavras simples como “saudade”, que não tem uma correspondência exata em inglês, por exemplo, tornam-se um imenso desafio para os bons tradutores, que precisam expressar a ideia de um sentimento sem alterar o sentido desejado pelo autor. Para mim é uma missão quase impossível…
Enfim, a equivalência perfeita é algo de difícil concepção, fazendo com que os tradutores tenham cada vez mais desafios pela frente e tornando a difícil tarefa de transformar o impossível em possível com um imenso prazer.
Mediante essas “pequenas” descobertas, parabenizo a todos vocês tradutores toda essa magia de transformação de palavras realizada no dia a dia de vocês!
