Na década de 90, com o boom das empresas “.com”, houve o nascimento de uma série de empresas de tradução. Influenciadas pelo alto valor de mercado de seus clientes, essas empresas podiam cobrar valores altíssimos por seus trabalhos. O tempo passou a bolha estourou e as vacas começaram a emagrecer.
As empresas de tradução foram obrigadas a procurar meios de baratearem seus custos e começaram a pressionar as tarifas pagas aos tradutores para baixo. Como na época em que isso aconteceu a paridade do Real em relação a moedas mais fortes (Libra Esterlina e Dólar e mais tarde o Euro) era muito desfavorável, havia gordura para essa redução de preços, tanto para agências quanto para tradutores autônomos.
Mais uma vez o tempo passou e o Real apareceu e cresceu. Se na época em que houve a renegociação das tarifas chegamos a ver 1 GBP valendo mais do que R$ 5,00, hoje ele está na casa dos R$ 3,90 e não se tem qualquer perspectiva de um cenário diferente num futuro próximo.Só que o problema não pára por aí. Os clientes continuam pressionando por obter tarifas menores, seja diminuindo-as efetivamente, seja exigindo mais pelo mesmo preço. Custos fixos como aluguel, luz, telefone, salários etc aumentaram e como a margem de lucro diminuiu, a única saída é ter mais volume para compensar todas essas perdas.

Fica aqui um enigma que Sherazade nunca em suas 1.001 noites sonhou em perguntar para o Sultão. Como será possível produzir muito mais em menos tempo, precisando pagar menos aos nossos fornecedores sem que se comprometa a qualidade?
