O último post da Rosiane deixou minha alma acadêmica inquieta.
O blog cumpre a função muito positiva de trocarmos ideias e de você, leitor, saber o que a gente anda pensando. Eu, como aluno de tradução da PUC-Rio, não poderia deixar passar a oportunidade de dar continuidade à discussão da Rose. Sabiam que na graduação temos um curso chamado Teorias da Tradução? Fora o de Teorias de Significado que ainda não cursei…
Sou partidário da premissa de que os significados estão em constante produção. Embora as palavras muitas vezes estejam esperando ser traduzidas, os significados não estão estanques, presos a uma ideia — embora eles sejam arbitrariamente convencionados. Cabe a nós, tradutores, interpretar, ressignificar o discurso e encontrar quem compre a ideia que nós (re)produzimos.

Dia desses um colega me perguntou como era “abraço” em inglês. Para dar uma resposta pronta, disse simplesmente “hug”. Mas temos que ter em mente que as línguas não nasceram de um projeto de tradução e que, portanto, as palavras não estão amarradas às outras quanto à sua significação. Por exemplo, nossa cultura corporal brasileira nos leva terminar nossas conversas com “beijos e abraços”, mas no inglês as expressões de despedida não costumam ser “kisses” ou “hugs”.
É como a Rose disse: “saudade” não tem equivalentes em outras línguas. E, se pararmos pra pensar, nenhuma palavra, EM PRINCÍPIO, tem um significado diretamente proporcional em outra língua. São as culturas e os contextos que mais ou menos delimitam uma esfera ou campo de significação.
O “rato” do português europeu, na acepção do nosso mouse, diz muito mais que um simples objeto; ele significa a postura linguística avessa aos estrangeirismos. E por aí vai e é por aí também que eu vou… É na noção de constante produção e interpretação dos significados onde reside minha fidelidade.
Como seus significados se somam aos meus e aos da Rosiane? Algum voluntário pra Parte 3 desta discussão?
