Muita gente não entende a função do engenheiro de localização. Freqüentemente converso e explico às pessoas minha profissão e muitas vezes escuto: “Ah, então você sabe falar todas essas línguas?”
Definitivamente não. Engenheiros não precisam entender (muito menos falar) os idiomas com que trabalham. Com o tempo e com a prática, nos tornamos capazes de distinguir japonês de coreano e chinês, aprender detalhes e saber que, em determinados idiomas, coisas “estranhas” são assim mesmo (no francês, por exemplo, a pontuação é separada por um espaço do fim da frase).
Mas o que faz o engenheiro afinal? Nós somos responsáveis por todo o trabalho de análise, preparação e verificação dos arquivos antes e depois da tradução. O tradutor só traduz (o que já é bastante, levando em conta os valores que são pagos hoje em dia…) O engenheiro recebe os arquivos do cliente e converte (muitas vezes de uma maneira que ele tem que inventar) para um formato que seja possível analisar com a memória de tradução. Então, é feita a conversão para um formato traduzível, e as partes não traduzíveis do arquivo são protegidas — ou apagadas, dependendo do caso.
O interessante é que não existe uma rotina. Os arquivos podem vir do cliente nos mais diversos formatos, como arquivos de software, de help, páginas da web, documentos de Word, imagens, entre outros. Eventualmente, recebemos até documentos impressos e cópias impressas!
O engenheiro tem que bolar uma forma de transformar tudo que foi recebido em um formato traduzível e, após a tradução, transformar tudo de volta no formato exigido. Verificar se está tudo em ordem antes de entregar ao cliente, encontrando e corrigindo eventuais bugs inseridos no processo, além de tirar dúvidas de teor técnico que os tradutores possam ter. Tudo isso com prazos super-apertados, como é comum no nosso setor.
Então, da próxima vez que você ouvir falar em engenharia de localização, não pense que, por trabalharmos com diversos idiomas, somos seres com extensas capacidades poliglotas. Esse trabalho fica para você! ![]()
![]() | Marcelo Moraes, Engenheiro de Localização, trabalhou na Ccaps entre 2006 e 2008. Formado em Gestão de Ambientes de Software Livre pela Universidade Estácio de Sá, ajudava na parte de preparação e análise dos projetos, gerenciamento de memórias de tradução e ferramentas de localização. Quando não está trabalhando, Marcelo gosta de entrar em contato com a natureza, surfar, escalar e estar com sua filha, Ana Maria. |

