Entra e sai estação, e o internetês não sai de moda. O tema foi há pouco estampado no Megazine, do jornal O Globo do dia 21 de julho.

Até eu, que sou meio purista, já me pego escrevendo “vc”, “bjs” e outras formas reduzidas. Não adianta: se de alguma forma somos usuários da Internet, sobretudo de MSN, Facebook, Twitter e afins, acabamos entrando na roda. É uma questão de economia, informalidade e, para alguns, até de identidade.
Se pararmos pra pensar na velocidade das nossas conversas e nos nossos vários contatos online, é natural que as grafias tradicionais ganhem uma roupagem mais casual, básica, e que surjam novos gêneros, tipos textuais redefinindo a noção de certo ou errado e colocando por terra a doce ilusão de que escrever é um ato solene. Formas muito rebuscadas, por exemplo, podem soar pedantes e inconvenientes — você pode parecer de outro planeta ou querer mostrar superioridade nas rodas virtuais.
Nessa esteira, é interessante pensar também que a língua é um instrumento literalmente à mão de seu usuário. Até então, tudo que eu tinha falado é velho, repetido. A novidade é justamente a possibilidade de, com o alfabeto a nosso dispor no teclado, recriar e personalizar a linguagem. Quem pensa que as reduções gráficas se reduzem à forma ainda está fora do contexto. São essas reduções que dizem e ampliam novos “eus” e modos de ser. “Intendendu” pode parecer bizarro, mas é através dessa e de outras variações que enxergamos o mundo pela lente das comunidades Axxxim e 4ss@do, tah mi intendendu?
Meu discurso você já conhece: não acredito na sinonímia x = y. São duas variáveis diferentes! O quero dizer é o seguinte: o internetês está aí e vai muito bem, obrigado. Transgride o português; é um código paralelo, relativamente autônomo. Como diz a etimologia, tradução é transformação. Toda forma sugere algum significado. Se mudamos o código, o narrador muda. A história jamais é a mesma se novos sujeitos projetam seu discurso e ampliam a interação. Calma! Isso não é Torre de Babel nem Apocalipse; isso é democracia. =)
Portanto, não adianta vir com o papo de que “fds” é igual a “fim de semana”. A diversão começa sábado e não domingo!
Vlw!
