Nós nunca sabemos o dia de amanhã. Clichê? Talvez; mas no mundo da tradução essa frase é perfeitamente aplicável. Relato a inconstância do meu ponto de vista de quando trabalhava como gerente de projetos na Ccaps, mas ela reflete no trabalho de tradutores e revisores também, é claro.
A variação que existe na quantidade e nos prazos dos trabalhos é realmente curiosa e, de vez em quando, desesperadora. Pode ser que hoje não tenha nenhum trabalho, ou tenha alguma coisa de 200 palavras para fazer e entregar daqui a dois dias. E durante esses dois dias, não chegue mais nenhum projeto. Ou então, pode haver 5 projetos simultâneos, com as características, prazos, etc., mais variados.
Momento enlouquecedor ter que liberar um projeto urgente para tradução procurando fornecedores que estão ocupados; preparar o material de um segundo, que está com problemas técnicos; discutir a “encrenca” de um terceiro com um colega de trabalho e, ao mesmo tempo, tentar obter uma resposta do cliente; negociar o prazo de um quarto porque não vai dar para conciliar tudo; e conseguir chegar a verificar o quinto para que o processo de tradução deste possa ser iniciado. E enquanto isso, chegam mais projetos!
Passam-se dois dias, projetos encaminhados… Pronto! Nos próximos três dias, nada mais chega.
É claro que há épocas em que as coisas caminham mais ou menos harmoniosamente, nem demais, nem de menos; ótimo! Mas essa falta de previsão é um aspecto que realmente exige bastante organização e disposição para que os projetos possam ser bem administrados.
E vocês, gerentes? Concordam?
Natália Botelho

Natália Botelho foi Gerente de Projetos na Ccaps e hoje é tradutora autônoma. Preferiu trabalhar de casa mais perto de seu marido e da cachorrinha Mel.
