“Que quer dizer cativar?”
“É uma coisa muito esquecida”, disse a raposa. “Significa criar laços…”
“Criar laços?”
“Exatamente”, disse a raposa. “Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…”
(…)
“A gente só conhece bem as coisas que cativou”, disse a raposa. (…) “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
Este é um pequeno trecho de “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry.

Esse livro foi escrito em 1940, quando o mundo vivia o horror da 2ª Guerra Mundial e não imaginava o que seria a concorrência do mundo globalizado no século seguinte.
Fala-se muito em cativar o cliente. Será que é muito diferente do que a Raposa disse? Acho que não.
Somos todos clientes e fornecedores em alguma esfera de nossas vidas. Estamos sempre comprando e vendendo. Logo, somos potenciais cativadores e cativados ou a cativar.
Cativar um cliente é muito mais do que entregar o produto/serviço contratado, na hora marcada e da maneira que foi combinada.
Só se cativa quando se insere uma cláusula de relacionamento humano nesse contrato. Cliente e fornecedor pensam no outro como pessoas e tratam e são tratados como tal. Só assim cria-se o laço.
E, como diria a raposa (numa palestra pela qual teria recebido uma fortuna) só assim o cliente passaria a ter necessidade do outro e o fornecedor passaria a ser o único para o cliente.
