
“Penetra surdamente no reino das palavras.” Faço desse verso, que integra o poema Procura da poesia, do saudoso Drummond, meu convite para você conferir o Museu da Língua Portuguesa.
Inaugurado em 2006, o espaço foi construído no centro de São Paulo, junto à charmosa Estação da Luz, restaurada especialmente para receber o museu. Um aluno de Tradução não poderia deixar de colocar seus pés lá…

Minha manhã começou precisamente na estação metroferroviária. Parece um cenário de tão linda! O prédio, que data do início do século XX, é uma construção de estilo vitoriano, a notar-se pela arquitetura que reproduz o Big Ben e a Abadia de Westminster. Portas de madeira maciça, lustres de cristal, detalhes de gesso no teto e arcos de ferro revestem a suntuosidade do interior. No centro do salão de acesso às plataformas, o piano no centro é simples, mas suficiente para revestir o movimento de quem passa.


Às 10 horas eu já estava no museu! A incursão começa com um vídeo sobre as origens e a evolução do português falado no Brasil, com a narração da grande atriz que não gosta de ser chamada de Fernandona. Depois, somos transportados a uma espécie de planetário da língua, onde imagens e áudio são projetados. A língua aqui é uma experiência concreta, quase uma mão que toca nossos sentidos.
Poemas e jogos de linguagem na voz de personalidades como Chico Buarque, Maria Bethânia e Matheus Nachtergaele ganham cores e formatos vivos na abóboda (celestial?). E nada de sair da Praça da Língua sem antes trilhar sua calçada da fama no chão de poemas projetados. Puro deleite!

O elevador é de fato panorâmico! Uma visão total da Árvore de Palavras percorre o acesso para o segundo andar (estávamos no terceiro =). Sem contar o mantra composto por Arnaldo Antunes, que repete as palavras “língua” e “palavra” em vários idiomas. Muito melhor do que “Sorria! Você está sendo filmado”.
O segundo andar começa com a Grande Galeria, um telão que se estende por toda a ala. Aqui temos projeções da língua portuguesa no cotidiano e na história de seus usuários. Mas nada de achar que você é espectador! O Maracanã é nosso no Beco das Palavras e no Mapa dos Falares. O Beco é um jogo, feito um mesão eletrônico, onde damos as cartas: somos nós quem formamos palavras e ficamos sabendo suas origens e significados. Já o Mapa é uma cabine eletrônica onde, com um simples toque na localidade, podemos ver e ouvir depoimentos de brasileiros espalhados nos quatro cantos do país, e conferir a cor local de cada falar. A Linha do Tempo e os totens batizados de Palavras Cruzadas também não ficam a dever!


No primeiro andar não vou contar o que vi. Melhor você se cansar lá do que aqui.
Sem contar que as exposições nesse piso são temporárias. Depois você pode nos contar o que viu por lá. O Ccaps Blog é pra isso mesmo! ![]()
Que tal, hein? Se quiser embarcar na ideia e fazer uma visita ao museu, só não vai segunda, que está fechado! O ingresso, adquirido por preços acessíveis, é um passaporte para um acervo de primeira classe, assim como nossos serviços! =)
