Quantas vezes você já ouviu a pergunta: “E o trema, já caiu?”
Eu ouvia há séculos que o trema vai cair, vai cair, e nunca caía… Mas agora é oficial. Com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, recentemente aprovado pelo Parlamento português, uma das modificações que sofre o português do Brasil é a eliminação do trema.
O segundo protocolo modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa encerra décadas de discussão sobre a questão da unificação das ortografias oficiais do português. O acordo passa a valer no Brasil no dia 1º de janeiro de 2009, e o país terá três anos para se adaptar à nova maneira de escrever. Portugal terá seis anos para a adaptação, uma vez que as mudanças por lá serão bem maiores do que aqui. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no nosso, apenas 0,43% delas sofrerão alterações.

Com o Acordo, o alfabeto passará a ter 26 letras, com a volta do k, w, y. Na gramática brasileira, as principais mudanças serão a eliminação do seguinte: o (bendito) trema; o acento nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas (como “idéia” e “heróico”); acento no hiato “oo” (de “enjôo” ou “vôo”) e nas formas verbais “crêem”, “lêem”, “dêem”.
Em Portugal, serão suprimidas as consoantes mudas (de “acção” ou “director”) e o “h” inicial de palavras como “húmido”. As diferenças de acentuação entre Brasil e Portugal serão mantidas: “econômico” aqui continua sendo “económico” lá.
Mas o que mais gostei foi o que disse José Saramago sobre o Acordo: “Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores”.
