“Ah, você faz Letras? E que letra você está estudando agora? A, B ou C?”. “Vai fazer Letras? E quem trabalha com isso faz o quê? Letreiro?”
Sim, todos os profissionais da área de linguagens já ouviram essas piadinhas e muitas outras. O que elas demonstram, além de um péssimo senso de humor? Que grande parte das pessoas não só desvaloriza a área de Letras, como também desconhece por completo o que um profissional da linguagem faz.
Por isso, resolvi escrever esse pequeno texto para nosso blog corporativo. Nele, faço um pequeno balanço de todas as atividades nos meus 4 anos de faculdade, tudo que aprendi (ou não) e o que ficou para a vida. Tentei condensar isso tudo em 10 tópicos bem simples. Vamos ver no que dá.

Uma bela imagem de um artigo do Carnegie Report sobre “Liberal Arts”.
1- Lingüística é o “Cálculo” de Letras
Um das primeiras matérias que tive de encarar na faculdade foi Lingüística I. É uma matéria bastante interessante, que abre os olhos do aluno para o raciocínio lingüístico: como as línguas funcionam? Pessoas com baixa instrução falam errado? Como se dá a aquisição da linguagem? O que significa saber uma língua? Todas essas perguntas, aliadas a muitos conceitos novos e fundamentais ajudaram não só a encarar minha área de um ponto de vista científico (o da ciência da linguagem), como também contribuíram para desfazer muitos dos preconceitos inerentes aos leigos no assunto, como o de que só se fala português bem em Portugal e o de que pessoas que não seguem a norma culta são burras. Devo dizer, no entanto que estudar isso tudo foi dureza: muito conteúdo de uma vez só logo no primeiro período.
2- Escrever é uma arte que se aprende; escrever bem é um dom que se aperfeiçoa
Não adianta tentar evitar. Todo aquele que se aventura numa faculdade de Letras tem que escrever quilos e mais quilos de texto. E isso fica bem mais fácil se você já tiver uma certa intimidade com a linguagem escrita. Muito embora eu tivesse matérias voltadas para o aperfeiçoamento da redação, percebi que um certo conhecimento prévio e domínio das técnicas de escrita é fundamental para se levar bem o curso. Também é meio caminho andado na carreira de tradutor. Entretanto, pelo que pude observar em muitos colegas, escrever é algo que se ensina sim. Mas escrever bem, ter pleno domínio do idioma… ah, isso é algo bem mais difícil, a pessoa precisa ter uma certa predisposição para escrever. Precisa ter um raciocínio lingüístico predominando.
3- English: show me what you got (Inglês: mostre-me o que sabe)
Quanto de inglês é necessário saber para se entrar numa faculdade de Letras de formação bilíngüe? A rigor, nada. A maioria dos cursos tem um processo de nivelamento, com matérias que equivalem a um curso de inglês. Entretanto, para ser tradutor, ou mesmo para levar o curso com mais facilidade, o aluno precisa ter um bom domínio do idioma estrangeiro. Isso é fundamental, especialmente porque você vai estar tão ocupado estudando coisas novas que dedicar tempo para aprender a língua paralelamente dá muito mais trabalho do que já sabê-la de antemão. O nível de conhecimento também é algo essencial. Para ser um bom tradutor, o aluno precisa entrar no curso sabendo escrever boas redações, ter um vocabulário relativamente complexo e compreensão oral e escrita acima da média. Em outras palavras: se você é do tipo que consegue entender tudo o que se diz numa sitcom americana sem ler as legendas e tirar as letras de música de cantores como Michael Jackson, está no caminho certo.
Por hora fico por aqui. No próximo post pretendo falar mais sobre o que aprendi nas matérias de tradução. Até lá!

Olá! Gostei das dicas, sério. Quero fazer Letras também, mas estou em dúvida. Estou terminando o ensino médio e estou preocupadíssima com o vestibular e tudo mais.
Estava meia em dúvida sobre o que caia ou não nas matérias, mas você me ajudou a abrir a mente e esclarecer minhas dúvidas.
Amei os seis passos que você escrever. Até a próxima.
Parabéns, eu adorei o texto…pretendo fazer letras mas ando meio insegura. Obrigada por me esclarecer alguns pontos importantes e duvidas que eu tinha sobre o curso.