Antigamente tinha mania de ficar tirando letra de música. Colocava uma fita K7 (que nunca em seu mais tenebroso pesadelo sonhou em ser trocada pelos CDs) e ficava escutando uma música quantas vezes fosse preciso até descobrir cada palavra que estava sendo cantada. Naquela época não imaginava trabalhar com tradução, eu apenas gostava de desafiar o meu ouvido e ficar montando aqueles quebra-cabeças. Hoje, troquei as letras de música pelos filmes na TV, com som original, que (in)felizmente estão legendados, deixando assim de ser Sherlock Holmes, tentando desvendar o que estava sendo cantado, para me tornar Xerife das traduções alheias.
Mas vejo que não estou sozinha. Basta entrar na Internet (onde mais?) para se achar milhares de comentários vindos das mais diversas fontes referentes a traduções mal feitas e equívocos tenebrosos. Pela quantidade e variedade, não imagino que sejam todos tradutores, mas simplesmente pessoas discutindo todo tipo de erro e o que acham ser a melhor solução para cada caso. Há até réplicas e tréplicas gerando longas discussões sobre uma mera conjunção que teria criado um duplo sentido num idioma e que teria se perdido na tradução.
Não sei qual o interesse que essas pessoas teriam por medicina. Eu particularmente tenho horror a sangue e doença. Quanto à loucura, prefiro não falar. Mas vou continuar me revoltando toda vez que escutar o locutor da Warner Channel dizendo que o Dr. Carter do ER está namorando uma “trabalhadora social”.
