
Já faz algum tempo que os cientistas vêm discutindo a ligação entre o multilinguismo e o cérebro. Um estudo recente realizado pela Comissão Europeia, intitulado “A Contribuição do Multilinguismo para a Criatividade”, apresenta a primeira macro-análise baseada em provas disponíveis, encontradas através da busca em vários outros estudos e atenção especial dada a novas pesquisas sobre o cérebro.
Os resultados mostram que o multilinguismo contribui para que o processo do pensamento seja mais criativo e efetivo. Uma das áreas centrais do cérebro destacadas no relatório da investigação é responsável pela função de memória. As pessoas se apoiam na memória de curto prazo ao pensar, aprender e tomar decisões.
David Marsh, planejador especializado do Centro de Desenvolvimento Profissional Contínuo da Universidade de Jyväskylä e coordenador da equipe internacional responsável pela pesquisa, diz que o estudo realizado no campo da neurociência oferece mais evidências de que os variados conhecimentos da língua são benéficos ao uso do cérebro de um indivíduo. “É óbvio que a memória acentuada pode ter impacto profundo na função cognitiva,” disse Marsh. Talvez seja essa a razão pela qual os indivíduos multilíngües apresentam desempenho mais elevado no controle e na exigência de tarefas complexas e destinadas a encontrar a solução de problemas, quando comparado aos monolíngües. Eles parecem apresentar mais vantagens ao lidar com certos processos do pensamento.
O relatório da pesquisa aponta para seis áreas principais do multilinguismo e, consequentemente, para o domínio de processos complexos do pensamento, que colocam algumas pessoas em posição vantajosa. Segundo Marsh, tais vantagens podem ser vistas no aprendizado em geral, no pensamento complexo e na criatividade, flexibilidade mental, habilidade interpessoal e de comunicação e até mesmo em um possível retardamento da diminuição do rendimento mental relacionada ao avanço da idade.
A pesquisa foi feita no período de maio de 2008 a junho de 2009, em todos os 27 estados membros da UE, além da Noruega e Turquia. O trabalho envolve uma análise de literatura científica, tanto europeia quanto internacional. A contribuição dada por trinta especialistas nacionais e uma Equipe do Núcleo de Pesquisa Científica (CSRT) foi defrontada com cinco hipóteses, como determinado pela Comissão Europeia.
Quem sabe se os resultados do estudo ganharem notoriedade no âmbito acadêmico, o multilinguismo se tornará uma obrigatoriedade no currículo, nos direcionando a uma melhor comunicação e a um mundo mais globalizado, com pensadores altamente eficientes.

Shannon Sorensen