Uma coisa comum quando solicitamos qualquer tarefa para uma área técnica é o uso do “agora, rapidinho”. De uma forma geral, imaginamos que qualquer tarefa é muito simples e que pode ser feita em poucos segundos, até que olhamos com um pouco mais de calma.
É neste momento, quando você vira para o técnico e fala “Pode resolver esse probleminha aqui agora, rapidinho? Foi só uma mangueirinha que arrebentou.” que tudo começa. Na verdade, a mangueirinha arrebentou porque ela estava trabalhando forçada, já que tem uma outra peça empenada. Esta, por sua vez, empenou graças a uma terceira peça, lá no fundo, de difícil acesso, que está com problema. Porém, quando o técnico examina com um pouco mais de cuidado, descobre que a peça problemática não apenas empenou a outra, como também está prejudicando várias engrenagens menores e todas precisam ser trocadas.
Por mais fantasioso que isto pareça ser, é assim que acontece na maioria dos casos. O real problema não é o que está óbvio, mas sim algo muito mais complexo que está causando a parte óbvia.
Se o conserto for apenas “agora, rapidinho”, o problema se repetirá novamente e antes do que você esperava. Fora que, por ter feito com pressa, não foram observados os detalhes, possivelmente ignorando muitas coisas importantes.

E assim acontece em tudo: no mecânico, eletricista, o técnico de computador e… nos projetos de localização!
Um “simples” arquivo de Word ou PDF pode ter muito mais detalhes do que aparenta à primeira vista, especialmente quando falamos de tarefas de engenharia, que correspondem a conversões de formatos, preparações e procedimentos mais complexos. E é nesta fase que aparecem 80% dos possíveis problemas do projeto, os piores e mais difíceis de resolver. É aqui que você descobre que aquela tarefa automatizada que levaria cinco minutos não está funcionando e que fazer na mão levará 25 horas!
Só que, para piorar, só recebemos o arquivo às seis da tarde no dia da entrega ao cliente. Afinal o procedimento levaria só 5 minutos, o cliente atrasou o envio dos arquivos (que deveriam ser bem menores do que os que chegaram de fato), o tradutor esqueceu de um pequeno detalhe, o revisor estava em um outro projeto minúsculo, mas urgente… Por todos esses mínimos detalhes, o projeto não chegou antes. Tá imaginando o tamanho do problema, né?
Há também casos em que o cliente envia aquele arquivo em Flash, com áudio, texto em inglês com fonte bem pequena para caber tudo na tela e diz que precisa para daqui a três dias: “São poucas palavras. E só vamos traduzir para alemão, árabe e japonês.” Na hora em que os arquivos prontos deveriam ser entregues, descobre-se um probleminha que vai atrasar apenas duas horas. Mas aí surge outro probleminha… E mais um… A entrega acaba acontecendo mesmo três dias depois do prazo.
Esse tipo de atitude torna difícil para a equipe enxergar os problemas, estressa toda a produção, reduz a qualidade e acaba frustrando o cliente. Então, da próxima vez, pense duas vezes antes de pedir ao seu colega para fazer aquela tarefa de engenharia “agora, rapidinho”.
